Foto: Fábio Alexandre
Doença está controlada no Paraná, mas aplicação da vacina anti-rábica nos animais é fundamental.

A raiva é uma doença considerada controlada no Paraná. Porém, não é por isso que as pessoas devem deixar de vacinar seus animais de estimação contra a enfermidade. A vacina anti-rábica é obrigatória e, em cães e gatos, deve ser dada pela primeira vez aos quatro meses de vida. Depois, é necessária a realização de reforço anual.

Segundo a coordenadora de controle de zoonoses e vetores de Curitiba, Regina Utime, o último caso de raiva canina registrado na capital paranaense ocorreu em 1981. No Paraná, o último registro é de 2002, quando um cão oriundo do Paraguai foi encontrado com o problema em Foz do Iguaçu, na região oeste. Entretanto, o Estado não está livre de novamente ser atingido pela doença. Daí a importância da vacinação periódica.

?No passado, tínhamos inúmeros registros de raiva. Hoje, isso já não acontece e, em Curitiba, realizamos apenas monitoramento e controle da doença. O problema é que, se as pessoas deixarem de vacinar seus bichos, a enfermidade pode voltar de repente. Isto pode acontecer, por exemplo, se um animal contaminado, originário de outras regiões do País ou mesmo do exterior, entrar em uma determinada região paranaense?, comenta.

A raiva é uma doença viral. Os sinais clínicos são diversos, podendo ser confundidos com os de outras enfermidades, incluindo alteração de comportamento, paralisia de membros inferiores e posteriores, incordenação muscular, fotofobia (medo da luz) e perda de apetite. ?Também é um sintoma comum a salivação excessiva, provocada por paralisia de mandíbula. É isto que faz com que as pessoas associem a raiva a cachorros que babam excessivamente. A doença também pode ser furiosa, quando o animal passa a demonstrar agressividade, ameaça morder seres humanos e outros bichos e não responde aos comandos dos proprietários?, informa Regina.

Transmitida de um mamífero para outro – através de lambedura, arranhadura e principalmente mordida – a doença tem um tempo de incubação variável, conforme o tipo de vírus e a espécie de animal atingido. Se um cão imunizado for mordido, precisa ser revacinado e ficar em observação por um período médio de noventa dias. Quando a raiva se desenvolve e ataca o sistema nervoso central da vítima, invariavelmente a leva a óbito. A morte acontece por parada respiratória.

Vacina gratuita

Comportamento de cães e gatos pode ser alterado.

Em Curitiba, não há motivos para as pessoas deixarem de vacinar seus bichos. A vacina anti-rábica é fornecida gratuitamente a cachorros e gatos pela Prefeitura. Basta que os animais sejam levados ao Centro de Zoonoses e Vetores, na Rua Canal do Rio Belém, 3, no bairro Guabirotuba. O lugar funciona de segunda a sexta-feira, em horário comercial. Mais informações: (41) 3296-1616 ou 156. 

Morcegos também são infectados

Além de cães e gatos, a raiva pode atingir diversos animais, como ratos, eqüinos, bovinos, suínos e macacos. Nas grandes e pequenas cidades, geralmente também é verificada uma grande quantidade de morcegos infectados.

Na capital, em maio do ano passado, foi encontrado um morcego infectado no Bairro Alto. Em janeiro deste ano, outro foi coletado por funcionários da Prefeitura em Santa Felicidade.

Os dois animais, depois de removidos, foram encaminhados para exames em laboratórios da cidade, através dos quais foi constatada a doença.

Regina explica que o comportamento anormal do morcego é o principal indicativo de que ele pode ter raiva. Por isso, quando as pessoas se depararem com morcegos voando durante o dia ou caídos no quintal, devem alertar a administração municipal através do número 156.

?Quando encontramos um morcego com raiva, reforçamos a vacinação de animais domésticos em um raio de quinhentos metros de onde ele foi coletado. É importante alertar que, ao observarem um morcego caído, as pessoas não devem tocá-lo. O contato com o animal doente é considerado de alto risco?. (CV)

Alteração na forma de contágio

Foto: Lucimar do Carmo

Regina: ?Atenção?.

Os seres humanos também não estão livres da raiva. Neles, as formas de contágio são as mesmas e os sintomas muito parecidos com os verificados em cães. O último caso da doença em pessoas no Paraná foi registrado no ano de 1987. Na capital, foi em 1975. Os principais transmissores da enfermidade ao homem são os animais domésticos, com destaque para os cachorros.

Quando a raiva atinge o sistema nervoso central do ser humano, também o leva a morte. Por isso, uma pessoa mordida por cão deve receber a vacina imediatamente e ficar sob observação, assim como o animal. O contágio depende do tipo de exposição ao vírus da raiva. Cortes profundos na cabeça, na face, no pescoço, nas mãos e na polpa dos pés são considerados mais preocupantes. (CV)

Confusão acontece com a cinomose

Os sintomas da raiva também são bastante confundidos com os da cinomose. ?A atenção tem de ser grande?, diz Regina Utime, coordenadora de controle de zoonoses e vetores de Curitiba. Esta é uma doença viral que afeta tanto cachorros domésticos quanto canídeos silvestres, não sendo transmitida ao homem. Ela é verificada principalmente nos meses de inverno, pois o agente causador sobrevive por bastante tempo em ambientes secos e frios.

A cinomose é transmitida de forma direta de um animal para outro, através de secreções do nariz e da boca. Assim como na raiva, o vírus que provoca a enfermidade fica incubado no corpo do animal. A melhor solução contra o mal é a vacinação. A imunização acontece através da vacina óctupla ou déctupla, de aplicação anual. (CV)