Um advogado autodidata e cego, que documentou a realização de abortos forçados e outros crimes, foi libertado de uma prisão chinesa hoje e imediatamente confinado à sua vila rural com limitado acesso à comunicação, informou um parente do ativista.

Chen Guangcheng, de 39 anos, é uma figura carismática e inspiradora para defensores dos direitos civis que lutam para fazer valer os direitos presentes na Constituição da China, mas que são comumente desrespeitados pelo governo autoritário e pela polícia. A prisão de Chen, em 2006, marcou o início das medidas do governo contra advogados ativistas.

Ele foi levado à sua vila enquanto seus familiares se preparavam para visitá-lo na prisão da cidade de Linyi, disse Yin Dongjiang. A família tem estado sob forte vigilância nos últimos dias e as autoridades cortaram as linhas telefônicas de vários parentes de Chen. “Há muita gente na vila neste momento e a família não tem permissão para deixar suas casas”, informou Yin, cuja irmã é casada com o irmão mais velho de Chen.

O advogado Teng Biao disse ter conversado rapidamente com Chen depois de conseguir ligar para o telefone celular da mulher do ativista após várias tentativas. “Ele me disse que estava em casa, mas não tinha liberdade pessoal”. “Havia oito ou nove pessoas do lado de fora de sua casa e muitos outros nos cruzamentos e entradas da vila”, disse Teng.

Cinco homens à paisana bloqueavam a estrada que leva à vila de Chen com uma van e outros seis expulsaram um jornalista da agência de notícias Associated Press que tentava entrar na comunidade. Após um pequeno tumulto com os jornalistas, os homens entraram na van e perseguiram o carro dos jornalistas em alta velocidade.

Chen também disse a seu advogado que seu estado de saúde é ruim e que sofreu de diarreia crônica após receber comida envenenada na prisão. Ele espera conseguir tratamento médico, mas ainda não recebeu uma resposta do governo, disse Tang. Chen também relatou ter sido espancado por outro preso, em 2007.