O ativista cego chinês Chen Guangcheng expressou nesta sexta-feira preocupação sobre a segurança de seus familiares, após informações de que seu sobrinho foi detido sob suspeita de tentativa de homicídio. Chen revelou também que não se reúne com autoridades chinesas desde segunda-feira. Ele disse que espera sair do país e estudar nos Estados Unidos, como prevê um acordo entre Washington e Pequim.

Em entrevista por telefone ao The Wall Street Journal, Chen classificou as acusações contra seu sobrinho como “desmedidas” e pediu que as autoridades prometam investigar o tratamento que ele e sua família estão recebendo das autoridades locais.

“Eu espero que o governo central cumpra suas promessas em breve”, disse o ativista. “Até agora, não ouvi nada a respeito.”

Apesar desses temores, Chen disse não ter mudado de ideia a respeito de sair da China. “Eu ainda acho que devo ir para o exterior, embora esteja muito preocupado com a situação aqui”, disse ele.

O sobrinho de Chen, que desapareceu pouco depois de o ativista ter fugido de sua casa, no final de abril, foi detido recentemente e acusado formalmente de tentativa de assassinato após um confronto violento com autoridades legais, segundo seus advogados. Chen disse que ficou sabendo que pelo menos outros quatro integrantes de sua família foram levados para interrogatório pelas autoridades locais.

Além disso, pelo menos dois dos advogados que prometeram defender o sobrinho foram advertidos para deixar o caso. Um deles informou que sua licença para advogar foi suspensa.

A perseguição aos familiares de Chen levantou questões entre outros ativistas e defensores dos direitos humanos sobre a boa vontade ou capacidade do governo central de controlar autoridades locais.

“É difícil acreditar que o governo central não pode intervir e controlar a situação se realmente quisessem”, disse Joshua Rosenzweig, pesquisador de direitos humanos da Universidade Chinesa de Hong Kong.

Uma explicação possível, disse Rosenzweig, é que desentendimentos entre autoridades encarregadas da segurança e funcionários do governo central tornem difícil para Pequim decidir como lidar com o caso. “Parece que após anos gozando de crescentes recursos e poder, o aparato de segurança tenha se tornado indomável. A manutenção da estabilidade se tornou um fim em si mesma. Ela se tornou uma máquina perpétua difícil de controlar, mesmo quando há interesses nacionais em jogo”, disse ele. As informações são da Dow Jones.