A presidente do Chile, Michelle Bachelet, afirmou hoje que a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) não é um instrumento nas mãos do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. “A Unasul são doze países que têm percepções e visões distintas. Se trata de como unimos forças para alcançar objetivos com os quais estamos de acordo”, disse ela, em entrevista publicada na edição de hoje do diário chileno “El Mercurio”.

Bachelet afirmou que “para que a Unasul expresse integração – no que avançamos muito durante o meu mandato – é preciso que esse movimento seja aprofundado e isso se consegue sobre a base da construção de acordos, respeito aos demais e a busca da solução dos problemas”. Nos encontros dos presidentes, Chávez frequentemente tenta desviar a atenção, como na segunda-feira da semana passada no Equador, quando levou o tema do acordo militar para os Estados Unidos usarem bases militares em território colombiano ao centro dos debates. O tema será discutido em uma reunião na Argentina no final de agosto.

“Em todos os organismos multilaterais, os presidentes têm a oportunidade de fazer uso da palavra de acordo com a sua maneira, personalidade e estilo”, disse Bachelet. Ela também afirmou que o golpe de Estado de 28 de junho contra o presidente hondurenho José Manuel Zelaya foi um “profundo retrocesso para a democracia na América Latina”. Segundo ela, é preciso que seja adotado o Acordo de San José, proposto pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, como uma solução para reverter o golpe.