O governo de Bangladesh enviou nesta segunda-feira (2) soldados para vários pontos do país a fim de perseguir guardas da fronteira que fugiram após um sangrento motim deixar pelo menos 148 pessoas mortas ou desaparecidas. A ministra do Interior, Shahara Khatun, disse que os soldados permanecerão atuando “tanto quanto necessário”, enquanto ajudam a política e autoridades locais a buscar os “rebeldes fugitivos”.

A ação ocorre um dia após a primeira-ministra, Sheikh Hasina, se encontrar com autoridades militares descontentes com o modo com que ela lidou com o motim de dois dias. A violência levou à morte de vários oficiais do Exército. A relação entre Hasina e os militares é cheia de desconfiança mútua.

O motim – o maior desafio da primeira-ministra desde assumir, há dois meses – ameaça deteriorar ainda mais essa relação e lança sombra sobre a estabilidade do governo. O empobrecido país teve mais de 20 tentativas de golpe, algumas bem-sucedidas, em seus 38 anos de história. O envio do reforço nesta segunda-feira foi visto como uma concessão, pois os líderes militares se mostraram furiosos com a promessa da líder de anistia para os guardas fronteiriços amotinados.

Também hoje houve um funeral para 49 militares vítimas da insurreição. A polícia acusou mais de mil guardas fronteiriços por assassinato, incêndios criminosos e por fazerem reféns. A revolta terminou após negociações, promessas de anistia e ameaças de uso da força militar.

A rebelião aparentemente ocorreu por causa de antigas exigências dos guardas fronteiriços de equiparação nos salários e outros benefícios dados aos militares, que comandam as forças fronteiriças. Bangladesh retornou à democracia com eleições em dezembro de 2008, após dois anos de um governo interino liderado pelos militares.