Um tribunal de Bangladesh sentenciou 152 pessoas à pena de morte nesta terça-feira por um levante ocorrido em 2009. Descontentes com uma série de questões, agentes de segurança de fronteira mataram dezenas de comandantes militares durante uma brutal revolta de dois dias.

A declaração da sentença ocorreu após um julgamento em massa de 846 réus, um processo criticado por grupos de defesa de direitos humanos. Segundo estas organizações, com tantas pessoas sendo analisadas, a decisão perdeu credibilidade. Além disso, elas alegam que 47 suspeitos morreram sob custódia das autoridades.

Os agentes de segurança de fronteira disseram que se revoltaram por causa de exigências salariais e contra seus comandantes e missões de manutenção de paz da ONU. Além disso, eles exigiam melhores instalações para trabalhar. Quando o motim acabou, 74 pessoas morreram, incluindo 57 comandantes militares. Cadáveres foram encontrados enfiados dentro bueiros e enterrados em grandes buracos.

O caso expôs profundas tensões entre o governo e os militares. O Exército mostrou grande descontentamento na época com a primeira-ministra Sheikh Hasina por negociar com os rebeldes, em vez de permitir que os militares atacassem.

Além das sentenças de morte, 161 pessoas foram condenadas à prisão perpétua e 256 pessoas receberam penas de prisão entre três e 10 anos, e 277 foram absolvido. A defesa prometeu recorrer.

O Human Rights Watch criticou os procedimentos legais e pediu um novo julgamento. O grupo disse que pelo menos 47 suspeitos morreram sob custódia, enquanto outros tiveram acesso limitado a advogados. “Julgar centenas de pessoas em massa em um tribunal gigante, onde os acusados têm pouco ou nenhum acesso a advogados é uma afronta às normas legais internacionais”, disse Brad Adams, diretor do Human Rights Watch na Ásia, em um comunicado em 29 de outubro. Fonte: Associated Press.