Benigno Aquino III assumiu hoje a presidência das Filipinas. O novo líder prometeu processar os corruptos e eliminar a pobreza do país, pedindo aos filipinos ajuda no trabalho, que comparou a uma carga bíblica. Filho de duas figuras emblemáticas da democracia no país, Aquino, de 50 anos, assume o posto no lugar de Glória Macapagal Arroyo, cujos nove anos no poder foram sacudidos por quatro tentativas de golpe e acusações de corrupção, manipulação de votos e abusos dos direitos humanos. Glória alega ser inocente.

Cerca de 500 mil pessoas compareceram à cerimônia de posse de Aquino em um parque junto ao mar em Manila, segundo a polícia. Aquino ofereceu seu discurso aos numerosos filipinos exasperados pelos persistentes problemas do país do sul da Ásia, que sofre também com uma insurgência comunista e outra islâmica. Aquino era um parlamentar discreto, até conseguir uma vitória folgada nas eleições de 10 de maio. Foi ajudado pelo seu ilustre sobrenome, por um programa anticorrupção e pelo forte desejo de renovação política e moral dos filipinos.

Os pais do novo presidente são venerados no país por sua oposição à ditadura de Ferdinand Marcos, deposto por uma revolta popular em 1986, em um momento crucial para a história filipina. Marcos, que ficou duas décadas no poder, foi sucedido pela mãe de Aquino, Corazón Aquino. Ela morreu no ano passado, gerando uma grande onda de simpatia que se converteu em forte apoio para seu filho. O pai do presidente, Benigno Aquino, líder de oposição a Marcos, morreu assassinado em 1983, quando saía do aeroporto de Manila, retornando de seu exílio nos Estados Unidos.