A antes dita “Capital Mundial do Café” e mais especificamente o território acadêmico da UEL – Universidade Estadual de Londrina recebeu duas centenas de participantes para o 1.o. Seminário Paranaense de Biodiesel, em 4 jornadas de tempo integral em 12 e 13 de agosto p. passados. No primeiro deles as palestras do poder político federal, estadual e municipal: O vice-governador Orlando Pessuti, o Secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior Aldair Rizzi, os Secretários de Política de Informática / Tecnologia e de Políticas Setoriais do MCT professores Francelino Grando e Cláudio Judice, o Assessor da Secretaria de Petróleo e Gás do MME Ricardo Dornelles e, para, acondimentar o evento, a palestra de referência a cargo do polêmico Almirante Bautista Vidal e sua incondicional defesa nacionalista da soberania e independência. A Reitora Lygia Pupatto centrou sua intervenção em várias facetas da bioenergia. Na fala de todos estes oradores uma densa zona de confluência para que a inovação em neo-comsbustíveis, mais do que uma atmosfera mais limpa, contemple a agricultura familiar, a fixação do homem no campo e sobretudo agregação de renda em favor do pequeno agricultor. Waldyr Gallo, pela ANP, levantou os argumentos de convencimento para a necessidade de criação e obediências às especificações desta agência.

Os 3 demais segmentos de palestras cobriram as áreas técnicas. Os Professores Laurindo, Edílson, Ramos e Fontana, pelo Cerbio / Tecpar (Centro Brasileiro de Referência em Biocombustíveis) e UFPR, retratando a sólida experiência em etanol e biodiesel como aditivos ao diesel levada a cabo por mais de 5 anos na parceria com a URBS e Lactec, cujos expositores foram Eisenbach e Cantão. Ottmann pela Coamo e também em nome da Abiove confirmou a aquisição da 1.a planta paranaense para biodiesel, contínua, importada da Alemanha e que estará em marcha até o final do 1.o semestre/2004.

Dabague, pela Bosch, Anfavea e Sindipeças rememorou a experiência alemã em biodiesel e os cuidados com a qualidade (especificações) como essenciais na proteção da credibilidade de qualquer neo-combustível. Zanetti, pela Alcopar, enfatizou os diferenciais competitivos do setor sucro-alcooleiro paranaense e Petroni, fundador da 1.a planta industrial brasileira de grande porte, a Ecomat-MT, contou sua saga cuiabana e as dificuldades de um pioneiro. Schultz da Copel, Turra da Ocepar, Seratto da Emater, Costa do Iapar e Peres da Embrapa fecharam o mapa logístico desenhado para o seminário, arrojando dados, resultados e potenciais de expansão quando se amplia horizontes para a energia fundamentado-os em exploração racional da biomassa.

De fato, todos pontos polêmicos estiveram em tela, desde a aparente competição de propósitos entre o MCT com o Probiodiesel e o MME (mais recentemente entrando no tema) com o Ecodiesel, diluída pelos esclarecimentos do 2o. escalão de ambos ministérios até a necessidade de muita pesquisa a cargo dos Institutos de Pesquisa e Universidades, que lá, além da UEL e UFPR, se fizeram ativamente presentes com os representantes da Unioeste, UEM e UEPG, além das faculdades isoladas. O componente discente também compareceu em peso, pois o aluno de biodiesel de hoje será o professor da matéria no amanhã.

O viés de tecnologia social do biodiesel no Paraná, insistentemente avaliado nas reuniões em que os Secretários Pessuti e Rizzi levaram a cabo na Emater-Curitiba, e a conotação de que a Copel figure como executora do mesmo em aliança com a capacidade analítica e verificadora de atendimento das especificações que é própria do Cerbio / Tecpar, recebeu um reforço na exposição do agrônomo Rossafa, Presidente do Crea-PR : defesa do biodiesel como política pública e uma 1.ª planta-piloto popular para melhorar o poder aquisitivo de trabalhadores às voltas com a deficitária Termelétrica de Figueira-PR. Após os 2 painéis finais, um Programa Paranaense de Biodiesel, o “Bioenergia-PR”, está em fase de largada na fórmula BD. com Um documento produzido no arco londrinense, coordenado por Jordão, Baldy, Prete e Gazzoni faz ênfase numa Rede Paranaense de Pesquisa e Transferência de Tecnologia. Feita uma harmonização deste com os termos da minuta de Decreto Estadual antes elaborada nas reuniões da Emater, um subsídio de valor para juízo do governador Roberto Requião estará pronto. Esta é a nossa grande tarefa conscientes que estamos, depois do “Biodiesel-PR-1ª, que cada corrente tem a exata força de seu elo mais fraco. E este último não tem lugar no biodiesel paranaense.

José Domingos Fontana

é coordenador do Cerbio (Centro Brasileiro de Referência de Biocombustíveis), diretor técnico do Tecpar, organizador geral do “Biodiesel-PR-1” e docente voluntário da PG-Farmácia-UFPR.