A Colômbia “esteve a um passo” de anunciar sua retirada da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), afirmou o jornal “El Tiempo”, em reportagem publicada hoje, disponível em seu site. Segundo o diário, a delegação colombiana avaliou se retirar do encontro de ministros da Defesa e das Relações Exteriores dos membros da Unasul, realizado ontem em Quito, e considerou até abandonar a aliança, caso não houvesse “garantias suficientes para que se desenvolvesse um debate equilibrado”. O texto do “El Tiempo” afirma que “a queixa não se dirigia tanto à presidência do foro, que está nas mãos do Equador, mas ao chanceler do Brasil, Celso Amorim”. O enviado do jornal sustenta que os membros da delegação colombiana “pediram equanimidade” a Amorim.

Na reunião, ontem, os demais países não conseguiram de Bogotá uma “garantia formal” de que o acordo com os Estados Unidos não resultará em agressões militares nos territórios vizinhos. O encontro foi encerrado sem um documento final. Amorim se declarou contrariado com a “intransigência” da delegação colombiana. “Temos um problema muito grave, pois a Colômbia não percebe o incômodo que isso causa nos outros e não procura solucioná-lo”, afirmou.

O ministro de Defesa da Colômbia, Gabriel Silva, disse ao “El Tiempo” que a reunião, para ele, não resultou em fracasso, pois “o país não se deixou impor uma agenda”. Silva lamentou a “intransigência” de algumas delegações e reiterou que a Colômbia disponibilizará aos outros países o texto do tratado com Washington, logo que ele seja firmado. A Venezuela se mostrou na reunião o país mais crítico ao acordo. A delegação de Caracas chegou inclusive a falar em uma supervisão das bases onde haveria tropas norte-americanas, o que os colombianos rechaçaram.

A boa notícia, segundo o “El Tiempo”, ficou por conta do encontro entre os ministros colombianos com seus pares do Equador. “Houve uma distensão importante”, notou uma fonte. Colômbia e Equador estão com as relações diplomáticas rompidas desde que Bogotá lançou um ataque militar em território equatoriano em 1º de março do ano passado. No ataque morreu o então número 2 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes, e mais 25 pessoas. Na época, o presidente equatoriano, Rafael Correa, condenou de forma “contundente” a invasão territorial.