Lucimar do Carmo / GPP
Lucimar do Carmo / GPP

Quando Mário e a filha Gabriela
pegam as coleiras, aos finais de
semana, os cães fazem festa.

Passear na companhia de um cachorro por ruas, parques e praças pode ser uma atividade agradável tanto para o animal quanto para seu proprietário. Além de divertidos, os passeios são necessários e considerados extremamente benéficos à saúde física e mental dos bichos, proporcionando maior bem-estar e qualidade de vida.

A caminhada é considerada um excelente exercício, que pode ser realizada por cães de todas as raças e idades. Ela evita o sedentarismo e, conseqüentemente, a obesidade. Desta forma, também faz bem ao coração e contribui para que a musculatura do animal se torne mais rígida, prevenindo problemas nos tendões e articulações.

Muitos animais domésticos – principalmente os que não possuem espaço para brincar e os que passam grandes períodos sozinhos, afastados de seus donos ou do convívio de outros da mesma espécie – acabam desenvolvendo estresse. Para este mal, passear também é um ótimo remédio.

Se o cão não tiver atividades, pode passar a desenvolver comportamentos impróprios dentro de casa, como roer móveis e latir para qualquer barulho, alertam os proprietários da empresa Passeadores de Cães, de Curitiba. Segundo eles, cães que passeiam com freqüência são mais confiantes, controlados diante de situações inesperadas e não sentem medo de tudo".

Também é através dos passeios que os cachorros se comunicam com o mundo externo. Durante as caminhadas, vários sentidos são estimulados. Os animais passam a se comunicar com pessoas estranhas, tornando-se mais sociáveis, escutam barulhos diferentes, vêem objetos desconhecidos e farejam novos odores, o que possibilita inclusive a interação com outros cães.

Cuidados

Apesar dos diversos benefícios dos passeios, não basta colocar o cão na coleira e sair andando. Alguns cuidados devem ser tomados e os limites do bicho devem ser respeitados. Segundo o veterinário Paulo Alfredo Miranda, da Clínica São Francisco de Assis, o condicionamento físico deve ser progressivo. Não adianta querer que no primeiro dia o animal caminhe por muito tempo ou longas distâncias.

"Assim como os seres humanos, eles devem começar a se exercitar aos poucos. O tempo e a distância variam de cão para cão, mas o dono deve perceber e interromper o passeio quando o animal der sinais de cansaço, ficando muito ofegante, sentando no meio do caminho ou se recusando a andar. Algumas raças, como o buldogue, que tem a caixa torácica com características específicas, também não devem ser submetidos a exercícios pesados. Por tudo isso, o melhor é sempre consultar um veterinário antes de planejar a quantidade e a duração dos passeios".

O profissional também pode orientar as pessoas sobre vacinas e cuidados necessários para evitar que os cães peguem doenças que podem ser transmitidas em locais onde há grande incidência de animais. "Quando se leva um animal a um local público, não há como saber se outros que passam por ali estão bem de saúde. Por isso, é importante que o cachorro que passeia esteja com as vacinas em dia, tome vermífugos e passe por controle de pulgas e carrapatos".

Outras dicas são: evitar horários de sol forte; não fazer o cão caminhar acompanhando carros e bicicletas, havendo riscos de atropelamento e dos donos perderem a noção dos limites do bicho; e não passear com cadelas no cio, evitando que cães machos sejam atraídos.

Proprietários não podem mais alegar falta de tempo

A falta de tempo dos proprietários não é mais desculpa para que os cães deixem de passear. Em Curitiba, foi inaugurada, no início deste ano, a Passeadores de Cães, uma empresa com profissionais especializados em levar os cães para caminhar.

"A idéia de montar a Passeadores nasceu da observação de que muitas pessoas, trabalhando durante o dia e estudando à noite, não têm tempo disponível para caminhar com seus animaizinhos", comenta um dos responsáveis pela empresa, Gilson Gonçalves. "Tem muita gente que até deixa de ter cães por não ter tempo de passear ou mesmo por não gostar de executar a atividade".

Os passeios são realizados em parques e praças, sendo que os passeadores oferecem transporte aos animais e assistência veterinária em caso de qualquer eventualidade. Os clientes podem escolher entre três planos: o Pop, no qual os passeios duram uma hora e podem ser realizados com até quatro cães juntos; o Tradicional, com duração de uma hora e meia e feito com até três cães; e o Personal Dog, que também dura uma hora e meia, mas no qual o animal recebe passeio individual.

"Nos três planos, além do passeio, realizamos atividades recreativas, através das quais os cães também podem se exercitar. No Tradicional e no Personal, é fornecido adestramento básico ao animal, no qual ele aprende a andar junto de seu condutor, sentar, deitar e ficar parado em determinado local", explica Gilson. "Quando um cão é levado para passear na companhia de outro, são considerados o tamanho e o temperamento do animal".

Para contratar os serviços dos passeadores, é obrigatório que o cachorro esteja com a vacinação em dia. Porém, a empresa também aconselha a utilização de antipulgas. O passeio pelo plano Pop custa, em média, R$ 14,00. Pelo Tradicional, R$ 30,00, e pelo Personal, R$ 40,00. Mais informações podem ser obtidas no site www.passeadoresdecaes.com.br.

Sem tempo

A administradora Regiane Almeida, proprietária de um cãozinho Shitzu de um ano de idade, que atende pelo nome de Pijaminha, trabalha o dia inteiro e costumava passear à noite com seu cão. Porém, há pouco tempo, após ingressar em um curso de pós-graduação, ela ficou sem tempo para as caminhadas e resolveu contratar um passeador.

"Sem passear, meu cachorro começou a ficar agitado e a ter comportamentos atípicos, como fazer xixi e cocô fora do lugar e destruir chinelos. Fiquei com muita pena e cheguei à conclusão de que ele não tem culpa se eu levo uma vida corrida e não tenho tempo para atender todas as suas necessidades. Foi então que resolvi chamar um passeador", conta. "Hoje, o cãozinho está muito mais educado e saudável. Ele gasta todas as suas energias passeando e dorme tranqüilamente todas as noites". (CV)

Alguns cuidados básicos evitam contratempos

Para que o passeio com o cão ocorra sem problemas, os proprietários devem ter algumas preocupações básicas. A primeira delas diz respeito à preservação do meio ambiente. Para evitar que as fezes dos animais tirem a beleza de áreas públicas e ameacem a saúde dos seres humanos que freqüentam os lugares, é necessário sempre recolhê-las.

A dica é levar uma sacolinha plástica dentro do bolso que, após utilizada, deve ser depositada no latão de lixo. "Além de sujar a cidade, as fezes dos cães podem transmitir doenças ao homem. As maiores vítimas costumam ser crianças. A contaminação geralmente acontece quando elas mexem na terra ou andam descalças", comenta o coordenador de controle de zoonozes e vetores da Prefeitura de Curitiba, Eric Koblitz.

Atenção especial também deve ser dada à necessidade de utilização de focinheira. Todos os cães, independente do tamanho, devem utilizar coleira e guia. Porém, para animais com mais de vinte quilos ou pertencentes a raças consideradas mais agressivas -como por exemplo rotwailler, pitbull e doberman – o uso da focinheira é obrigatório. A medida pode evitar sustos ou mesmo acidentes envolvendo outros pedestres.

Na capital paranaense, o uso de focinheira e o recolhimento dos dejetos dos animais são regulamentados pela Lei 9.493, de 1999. O decreto 642 estabelece multa de R$ 560,51 e apreensão do animal para quem circular com cães de grande porte ou de raças considerada violentas sem focinheira por parques, praças e outros lugares público. Já o decreto 643 prevê que o proprietário do animal é responsável pela limpeza, remoção e destino adequado das fezes do bicho. Quem for flagrado não recolhendo os dejetos pode ser multado em R$ 150,00. (CV)

Para muitos, a rotina é quase diária

Nos parques e praças de Curitiba, é possível encontrar muitas pessoas passeando com seus cães. Alguns proprietários fazem disso uma rotina quase diária. É o caso do empresário Luciano Bergstein, que faz caminhadas na companhia de seu yorkshire chamado Sultão, de 12 anos.

"Há onze anos e sete meses que caminhamos juntos seis dias por semana, só descansando nos domingos", diz Luciano. "Devido ao exercício, Sultão, que já está com idade avançada, se mantém ativo e bem de saúde. As caminhadas contribuem com a longevidade e a qualidade de vida de meu companheiro".

O promotor de Justiça Mário Augusto Drago de Lucena e sua filha, a estudante Gabriela Aguiar de Lucena, passeiam todos os finais de semana com Sasha, um lhasa apsu macho de um ano, Lawyer e Tina, ambos shitzus respectivamente um macho de seis anos e uma fêmea de três. "Eles adoram passear. Quando a gente pega as coleiras para sair, fazem a maior festa", revela Gabriela.

Nos parques da cidade, pai e filha também dão exemplo de educação ambiental. Sempre que passeiam com os cães, eles carregam no bolso sacolinhas plásticas para recolher as fezes dos animais. "Se todo mundo deixar as fezes de seus cachorros fica complicado. Recolhê-las é uma questão de consciência e boa educação", comenta Mário. (CV)