Engenheiros que trabalham no Golfo do México esperam começar hoje os trabalhos para injetar lama e talvez cimento no interior do poço avariado da British Petroleum (BP) no fundo do mar, o que vai facilitar o encerramento definitivo do vazamento.

O que impede milhões de galões de petróleo de vazarem para as águas do Golfo atualmente é um dispositivo de contenção experimental instalado há mais de duas semanas, mas cujo uso é temporário. Não há certeza na ação denominada “morte estática”, e os engenheiros da BP continuarão a verificar a situação durante um certo período após injetarem lama e cimento no poço que fica a quase 1.500 metros de profundidade, por meio de um poço de alívio que estão perfurando.

Mas os engenheiros da empresa e especialistas em petróleo dizem que esta é a melhor forma de impedir que o poço continue a vazar. Acredita-se que 184 milhões de galões (697 milhões de litros) de petróleo bruto tenham vazado para as águas do Golfo do México desde que a plataforma conectada ao poço explodiu em abril, matando 11 funcionários.

“Isso pode ser o início do fim”, disse Darryl Bourgoyne, diretor do Laboratório de Pesquisa de Engenharia Petrolífera, da Universidade Estadual de Louisiana. Quando a operação começar, lama pesada será lentamente injetada por meio de linhas instaladas no mês passado na garganta do poço. Se a lama forçar o petróleo de volta ao enorme reservatório – cientistas estão seguros que a pressão continua estável – então os engenheiros vão injetar cimento fresco para selar o poço.

“A única coisa que separa o petróleo do mar atualmente é a válvula”, disse Eric Smith, diretor-associado do Instituto de Energia Tulane. “A ideia é ter a maior quantidade possível de barreiras entre o mar e o reservatório, estamos acrescentando um nível extra de segurança”.

Dispersante

O vazamento foi interrompido duas semanas atrás, quando os engenheiros instalaram uma cúpula de contenção. Navios que recolhem o petróleo e dispersantes espalhados na água têm conseguido retirar parte do material. Mas críticos questionam os efeitos no longo prazo do dispersante sobre a vida marinha.

Investigadores no Congresso disseram sábado que a Guarda Costeira aprova rotineiramente os pedidos da BP para usar milhares de galões de produtos químicos por dia, apesar de uma diretriz federal pedir que o uso seja reduzido.

O responsável federal pela questão do vazamento no Golfo, o almirante da reserva da Guarda Costeira Thad Allen, disse ontem que os reguladores federais não ignoram as diretrizes ambientais, mas que alguns comandantes de campo têm autoridade para permitir o uso de mais dispersantes dependendo do caso.