Os discursos do presidente Felipe Calderón, do México, em favor da aproximação de seu país com o Brasil não reverteram a resistência mexicana ao possível ingresso do País no Conselho de Segurança das Nações Unidas, na condição de membro permanente. Questionado se o México poderia rever sua posição, Calderón desconversou.

Defendeu que primeiro seja discutido o modelo de reforma da Organização das Nações Unidas (ONU) e, somente em um segundo momento, seja definido quais os países tomarão parte de seus renovados organismos. Curiosamente, a pergunta da imprensa brasileira causou imediato constrangimento em ambos os presidentes durante a entrevista coletiva no Palácio Nacional. Rindo, Calderón apontou Lula, dizendo que ele deveria responder.

Ciente da posição do México, o brasileiro resolveu tomar a iniciativa de respondê-la, sob o argumento de que estava na condição de ?anfitrião?. A iniciativa do brasileiro apenas deu chances para o mexicano pensar na sua resposta tangencial. ?Tenho de aceitar que temos uma divergência. A primeira decisão nas Nações Unidas é se vamos fazer a mudança ou não?, afirmou Lula. ?Esse é um assunto tão delicado que não fez parte das nossas conversas, por uma questão de ?finesse política?. Certamente, essa delicadeza não impedirá que venhamos a conversar?, completou.

Para a abertura anual de sessão de trabalhos da Assembléia-Geral da ONU, em meados de setembro, o governo brasileiro articula com seus aliados do G-4 (Brasil, Índia, Alemanha e Japão) o lançamento de um processo de negociação sobre a reforma das Nações Unidas, inclusive do Conselho de Segurança.