Foto: Lucimar do Carmo/O Estado
 A ingestão de alimentos diferentes da dieta costumeira do animal geralmente faz mal à sua saúde.

Após as festas de Natal e Ano Novo, é muito comum as clínicas, hospitais e consultórios veterinários atenderem um grande número de animais vítimas de intoxicações alimentares. Isso acontece porque, durante e algumas horas após as ceias e almoços festivos, muitos proprietários e convidados cometem o erro de fornecer seus próprios alimentos aos bichinhos.

Dessa forma, cães e gatos acostumados a ingerir apenas rações acabam tendo no cardápio peru, carnes assadas, farofa, tortas doces e salgadas, além de uma série de outros alimentos bastante temperados e considerados gordurosos. Os resultados costumam ser vômitos e diarréia. ?As maiores vítimas costumam ser os cães, pois geralmente os gatos são mais seletivos em relação à alimentação. Porém, os restos das ceias e almoços podem fazer mal a ambos?, comenta a médica veterinária Simone Aparecida Paulik. ?A dieta dos animais nunca deve ser alterada de forma brusca, e o fornecimento de alimentos preparados para humanos por uma única vez já pode fazer mal.?

Os animais com sintomas de intoxicação alimentar devem receber atendimento veterinário de forma imediata. Quando eles não estão bem, além da diarréia e vômito, costumam ficar mais quietinhos, demonstrar tristeza e parar de comer. Se não tratados em tempo e de forma correta, podem desidratar e até morrer. Os riscos costumam ser ainda maiores se o bichinho for filhote.

Na maioria dos casos, o tratamento é feito à base de antibióticos e soro. Ele deve ser sempre recomendado por profissional especializado. Os proprietários nunca devem fornecer medicação por conta própria a seus animais, por mais que o problema possa parecer simples. Também é comum que animais intoxicados precisem de internamento, o que vai gerar gastos extras aos responsáveis. As diárias em clínicas e hospitais custam, em média, de R$ 35 a R$ 45.

De acordo com Simone, não devem ser fornecidos sequer os ossos de carnes brancas e vermelhas para serem roídos, pois os cães podem ficar engasgados com os mesmos. Os ossos de frango e peru representam um risco maior por se tornarem pontiagudos e poderem perfurar estômago e esôfago, além de causar obstrução intestinal. ?A solução para todos esses problemas é cirurgia, o que vai causar sofrimento ao animal e ainda transtornos aos donos, que podem, por exemplo, ficar impedidos de viajar.?

Já os alimentos doces, como tortas, pudins, biscoitos e mesmo panetones, podem ser bastante prejudiciais principalmente a bichos vítimas de diabetes, que podem até entrar em choque devido ao consumo de açúcar. ?Muitos donos nem sabem que o animal é diabético e fornecem alimentos doces. Isto é extremamente maléfico.? Mesmo que o bichinho não tenha a doença, os doces também podem levar à obesidade, contribuir com o aparecimento de problemas cardíacos e gerar tártaro dentário.

Álcool

Por mais que isso possa parecer absurdo para a maioria das pessoas, nos finais de ano os estabelecimentos veterinários não descartam a possibilidade de receber animais doentes devido ao consumo de bebidas alcoólicas, como vinho, cerveja e champagne. Algumas pessoas mal intencionadas dão as bebidas aos bichinhos por pirraça e nem imaginam o sofrimento que isto pode causar. ?O animal fica tonto e sonolento e, dependendo da quantidade ingerida, pode até morrer. Precisa receber soro, glicose e, muitas vezes, ter até o vômito induzido. Bebidas alcoólicas não devem ser fornecidas em hipótese alguma?, finaliza Simone. 

Fogos de artifício provocam pânico nos animais

Os fogos de artifício, de utilização comum nesta época do ano, representam um verdadeiro tormento à maioria dos cachorros. Se por um lado eles são lindos de serem observados, por outro provocam pânico nos animais, que muitas vezes chegam a se machucar devido aos sustos repetitivos.

Conforme informações da organização não governamental Clube das Pulgas, de Curitiba, os cães têm uma audição trinta vezes mais apurada que a dos seres humanos. Dessa forma, existem suspeitas de que as explosões, além de medo, possam até causar dor aos animais.

Como não é possível evitar os fogos, a recomendação é de que os proprietários tomem certos cuidados e dêem atenção especial aos bichinhos. ?Existem cães que, devido ao pânico provocado pelas explosões, chegam a pular de janelas, se machucando devido à queda ou cortando as patas no vidro. Outros tentam se esconder entrando debaixo ou dentro de objetos, também sofrendo ferimentos?, revela a médica veterinária Aryele Herrera.

Devido aos riscos, os donos dos cães que demonstram medo devem ter o cuidado de deixar os animais em locais em que os mesmos não possam se bater em objetos ou saltar de grandes alturas. ?Quando os proprietários viajam e deixam os bichinhos em hotéis caninos, devem alertar os responsáveis pelos estabelecimentos sobre o problema, e pedir para que o cães sejam deixados em ambiente especial?, orienta a veterinária Simone Paulik. ?Em casos mais graves, o animal pode necessitar de calmantes, mas os medicamentos só devem ser fornecidos sob prescrição médica.?

O zootecnista Paulo Renato Parreira, que trabalha com comportamento animal, também aconselha os donos a se comportarem como se nada estivesse acontecendo no momento das explosões. É indicado que eles evitem de se assustar para, desta forma, não assustarem ainda mais seus bichos. ?O animal percebe o que está acontecendo ao seu redor e se verifica que está tudo normal vai notar que não há motivo para medo. Dessa forma, diante dos fogos, as pessoas devem agir como se nada de anormal estivesse acontecendo, mantendo a tranqüilidade?, declara. (CV)

Viroses surgem mais no verão

Nesta época do ano, os animaizinhos também costumam sofrer devido a problemas provocados pelas altas temperaturas. Com o calor, cães e gatos podem ficar mais sujeitos a viroses e parasitoses.

?No verão, aumentam, por exemplo, os casos de parvovirose. A doença é caracterizada por diarréia sangüinolenta e ataca os cães. Outra coisa comum é alergia provocada por picada de pulga e aumento da incidência de carrapatos?, explica a médica veterinária Célia Regina Takaoka.

Os proprietários também devem tomar maior cuidado para que seus bichos não adquiram fungos, e adotar algumas medidas para evitar leptospirose, enfermidade transmitida pela urina de ratos. ?Para evitar a presença de roedores, é importante manter os locais sempre limpos e não deixar ração à vontade no prato de cães e gatos, fornecendo-a duas vezes ao dia.?

Os bichinhos também devem contar com água fresca à vontade e ter os pêlos tosados (no caso de animais de pêlo longo), o que contribui para minimizar o calor. Roupinhas não devem ser utilizadas e a vacinação, assim como a desvermifugação, deve se mantida atualizada. Anti-pulgas e carrapaticidas costumam ser bastante indicados. (CV)