O presidente do México, Felipe Calderón, afirmou hoje que os Estados Unidos não fizeram um esforço importante para reduzir o consumo de drogas e qualificou seu vizinho do norte de “irresponsável” por vender armas que acabam nas mãos dos cartéis mexicanos das drogas e aumentam o poder de fogo dos marginais.

Ele participou de um encontro com deputados federais, como parte das reuniões que está tendo com diversos setores da sociedade mexicana para analisar a estratégia de segurança do país. A violência do narcotráfico e do crime organizado tem sido um tema preocupante no México.

“Precisamos mobilizar não só a opinião pública mexicana e estarmos unidos, como também a opinião pública internacional para assinalar a irresponsabilidade dos norte-americanos, por mais que eles não gostem”, disse. “Não é possível que a voracidade da indústria armamentista esteja fomentando precisamente os níveis de violência que temos por aqui”, acrescentou Calderón, que ao longo do seu governo tem pedido uma contrapartida dos EUA no combate ao narcotráfico.

Calderón afirmou que as fábricas de armas dos EUA “assim como provocam um conflito em um país pobre e atrasado da África, também lucram com essa situação que vive o povo mexicano, porque para eles é negócio vender armas a criminosos”.

Calderón também criticou o consumo de drogas em seu vizinho do norte. “Não acredito que os Estados Unidos fizeram um esforço significativo para reduzir o vício das drogas, por maior que seja a boa vontade que possa ter o presidente Obama”, disse. A violência do crime organizado no México se traduziu no assassinato de mais de 28 mil pessoas desde dezembro de 2006, quando Calderón iniciou uma ofensiva contra os cartéis do narcotráfico.

A cooperação entre os EUA e o México no combate ao narcotráfico se modificou através dos anos. Uma das principais mudanças ocorreu em 2007, quando foi lançada a chamada Iniciativa Mérida, um plano de apoio norte-americano através do qual o México recebeu capacitação e equipamentos para aumentar sua força de combate aos cartéis. O governo mexicano disse que a liberação dos recursos da Iniciativa Mérida sofreu atraso.