Pioneira na liberação do uso medicinal da maconha há 14 anos, o Estado da Califórnia, nos Estados Unidos, decidirá no dia 2 sobre a legalização dessa droga e poderá se transformar em uma espécie de Amsterdã do Pacífico. A Proposta 19 estará na mesma cédula na qual os eleitores escolherão seus candidatos para o governo do Estado, o Congresso e o legislativo estadual.

Mas a disputa de grupos pró e contra a iniciativa mostra que o assunto é polêmico na região mais liberal dos EUA. Detalhada em oito páginas, a Proposta 19 prevê que o uso da droga na Califórnia não seja mais um crime, desde que seja respeitada a norma local sobre o fumo. Em estádios e recintos públicos fechados, por exemplo, será proibido. O texto indica ainda que caberá aos condados e às cidades definirem regras locais, como a presença de lojas autorizadas para a venda – assim como ocorre com bebidas alcoólicas – e a criação de agências locais de regulação e de controle.

Segundo Sherry Bebitch Jeffe, professora da Escola de Política, Planejamento e Desenvolvimento da Universidade do Sul da Califórnia, será muito difícil a aprovação da medida. “A Proposta 19 deve cair. Não porque a Califórnia seja contra a liberação da maconha, mas porque há grandes dúvidas sobre a expansão do uso entre os jovens e a aplicação de controles”, afirmou. Mas o elemento surpresa ainda está em campo.

O empresário do setor imobiliário Kyle Kazan, policial por 22 anos na cidade de Torrance, não é favorável ao uso de drogas e de álcool, mas se mobiliza em favor da Proposta 19. Segundo ele, o atual sistema favorece a formação de gangues que controlam a venda da maconha nas grandes cidades e facilita o acesso de crianças e jovens à droga.

Com a proposta em vigência, a venda será feita em locais autorizados e ainda vai gerar receita tributária estimada em US$ 1,4 bilhão ao ano para um Estado cujas contas públicas estão no vermelho.