O primeiro-ministro britânico, David Cameron, lançou nesta segunda-feira um plano de cinco anos para derrotar o extremismo islâmico, dizendo que é hora de combater a ideologia que tem atraído muitos jovens para o grupo Estado Islâmico.

Em seu discurso mais importante sobre o assunto, Cameron disse que a ideologia extremista do grupo, também conhecido como Estado Islâmico, deve ser combatida para a Grã-Bretanha tornar-se uma nação mais coesa em que os jovens muçulmanos se sintam parte do país.

Algumas comunidades na Grã-Bretanha têm pouco apego ao país e isso os torna vulneráveis à radicalização, diz Cameron, de acordo com trechos divulgados por seu escritório. Ele fez ainda uma dura advertência aos jovens que consideram juntar-se ao grupo.

“Você não será um membro valorizado de um movimento. Vocês serão usados como bucha de canhão para

eles”, disse Cameron. “Se você é um menino, eles vão fazer uma lavagem cerebral em você, colocar bombas em seu corpo e explodi-lo. Se você é uma menina, eles vão te escravizar e abusar de você. Essa é a realidade doente e brutal do Estado Islâmico”, acrescentou.

Segundo o primeiro-ministro, os pais terão o poder de cancelar o passaporte de seus filhos caso haja a intenção de viajar à Síria para se juntar ao Estado Islâmico. Além disso, Cameron pediu às empresas de internet para agirem e proteger os usuários contra o radicalismo.

Cameron deve anunciar um estudo destinado a encontrar formas de aumentar oportunidades para os jovens provenientes de minorias étnicas e aumentar a sua integração na sociedade.

Cameron também comentou sobre o papel que a comunidade muçulmana da Grã-Bretanha deve desempenhar na luta contra o Estado Islâmico, dizendo que visões extremas, tais como uma “conspiração judaica” e “oposição à valores liberais” são a porta de entrada para a violência.

“Há muitas vozes muçulmanas fortes e positivas sendo abafadas”, disse o primeiro-ministro. “Pergunte a si mesmo. Quando jovens adolescentes deixam suas casas em Londres para lutar pelo Estado Islâmico, o debate se concentra em saber se os serviços de segurança são os culpados?”, pontuou.

Segundo a polícia britânica, cerca de 700 suspeitos potenciais de terrorismo têm viajado da Grã-Bretanha para a Síria. Fonte: Associated Press.