Susana Villarán, candidata do partido esquerdista Força Social, venceu ontem a eleição para a Prefeitura de Lima, capital do Peru. Ela obteve 38,7% dos votos. Logo atrás chegou a conservadora Lourdes Flores, do Partido Popular Cristão, com 37,2% – não há segundo turno na votação municipal peruana. As eleições regionais, realizadas no domingo, devem alterar o panorama político do Peru a seis meses da eleição presidencial, marcada para abril. A prefeitura da capital é considerada por analistas um termômetro da campanha nacional.

Susana, de 61 anos, foi o fato novo. Professora e ativista de direitos humanos, ela representa uma esquerda moderada. O fato curioso é que ela não tem carro e optou por viver em um bairro pobre da capital. Os mercados temem que sua vitória na cidade mais importante do país leve ao ressurgimento de um candidato presidencial de esquerda que restrinja os investimentos que o Peru tem recebido. Os favoritos para suceder García são Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, e Jorge Castañeda, atual prefeito de Lima.

Durante a campanha, Susana fez o que pôde para se afastar da imagem de radical. Repetidas vezes, ela declarou fazer parte de uma esquerda “moderna e liberal”, favorável à iniciativa privada e sem relação com o “militarismo autoritário” do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Ela também tentou se dissociar do nacionalista Ollanta Humala, derrotado no segundo turno da eleição presidencial de 2006 pelo conservador Alan García.