O governo venezuelano acusou ontem o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de estar utilizando o suposto fornecimento de armas da Venezuela para a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para justificar a concessão de uso pelos Estados Unidos de bases em território colombiano. Na semana passada, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, retirou seu embaixador da Colômbia e congelou, pela segunda vez em três anos, as relações entre os dois países por causa das denúncias de Bogotá. Segundo o governo colombiano, lança-foguetes de fabricação sueca, de um lote vendido à Venezuela nos anos 80, foram encontrados em poder dos guerrilheiros, após uma ofensiva do Exército da Colômbia.

“Centrar o debate (sobre as relações entre Colômbia e Venezuela) neste tema nada mais é do que arranjar um pretexto para justificar uma aberração internacional (a instalação das bases) e uma agressão por parte do governo colombiano, afirmou o ministro de Interior da Venezuela, Tareck el Aissami. “Uma grave acusação foi feita e (em razão disso) há uma grande repercussão nos meios de comunicação internacional, mas não apresentaram uma só prova (de que o governo de Chávez tenha entregado as armas aos guerrilheiros).” Aissami também acusou Bogotá de ser conivente com o narcotráfico.

Para analistas venezuelanos, consultados pelo jornal O Estado de S. Paulo, os dois governos vêm manejando os dois temas e contrapondo-os um ao outro. “São dois assuntos delicados e a questão das armas pode ser a comprovação de algo que há muito tempo se comenta no país – ou seja, os estreitos vínculos de Chávez com as Farc”, comenta o analista do centro de estudos independente Sieglo XXI, Ariovaldo Paredes. “Por outro lado, Chávez tenta obter o apoio dos demais países da região na condenação da instalação das bases.” Segundo fontes colombianas, os EUA usariam cinco bases no território da Colômbia, que assumiriam as funções das operações antidrogas da Base de Manta, no Equador – cuja concessão não foi renovada pelo presidente equatoriano, Rafael Correa, aliado de Chávez.

Programa dominical

Em meio a um fim de semana tenso, no qual o governo venezuelano tem enfrentado manifestações populares por causa da decisão de tirar do ar 34 emissoras de rádio – por supostas irregularidades em suas concessões -, Chávez cancelou ontem a transmissão de seu programa dominical Alô, Presidente! O líder venezuelano alegou ter sofrido uma lesão durante um jogo de beisebol na sexta-feira. Das 656 rádios na Venezuela, 360 estão ameaçadas.