A Casa Branca confirmou a criação de uma comissão independente que terá por objetivo verificar se a decisão de invadir o Iraque se baseou sobre informações de inteligência erradas em relação à existência de armas de destruição de massa. A informação foi confirmada oficialmente por fontes da presidência americana.

A comissão deverá entregar seu informe no ano 2005, ou seja, depois das eleições presidenciais de novembro próximo. Dessa forma, as aspirações do presidente Bush de se reeleger ficam facilitadas, sem um potencial fator de conflito.

Bush, que resistia à formação da comissão, cedeu assim que se assegurou de que o resultado dessa investigação independente não incidirá negativamente em sua campanha.

A estrutura investigativa será desenhada à semelhança da “Comissão Warren”, que investigou durante dez meses o assassinato do ex-presidente John Fitzgerald Kennedy em 1963, e que concluiu que Lee Harvey Oswald foi o “assassino solitário” que preparou e cometeu o atentado.

O presidente Bush indicará pessoalmente os membros ? possivelmente serão nove ? da futura comissão que, segundo as mesmas fontes, serão “personalidades de prestígio e especialistas em armas de destruição de massa”.

A comissão tentará investigar por que a inteligência americana chegou à conclusão de que Saddam Hussein possuía as armas letais, argumento utilizado pelo presidente Bush para ordenar unilateralmente a invasão do Iraque em março do ano passado.

A criação da comissão foi decidida pelas pressões feitas por congressistas democratas e republicanos, apesar da resistência inicial de Bush, depois que se divulgaram as revelações de David Kay, o principal especialista americano em busca de armas de destruição de massa dos arsenais iraquianos.

“Todos nos equivocamos: há muitos anos o Iraque não possui mais arsenais de armas de destruição de massa”, havia reconhecido Kay, que considera que “uma investigação externa é indispensável”.

“Devemos individualizar os erros fundamentais e estruturais de nossa inteligência na coleta de informação”, afirmou Kay.

O republicano Trent Lott, por sua vez, membro da Comissão de Inteligência do Senado, expressou que “já não há dúvidas de que ocorreu uma colossal falha na inteligência”.

Alguns parlamentares já pediram a renúncia de George Tenet, diretor da CIA. Outros, ao contrário, observam que ao apontar apenas os erros de inteligência tenta-se proteger a administração Bush e usar a CIA como “bode expiatório” para a invasão do Iraque.