Na reta final da campanha eleitoral da Catalunha, a bandeira pela independência da Espanha hasteada pelo presidente regional Artur Mas, que busca reeleição domingo, foi momentaneamente ofuscada por denúncias de corrupção contra ele.
Reportagem do jornal “El Mundo” publicou um suposto rascunho de um relatório policial que vincula Mas a contas na Suíça e Liechtenstein relacionadas a um caso de corrupção cuja investigação está em curso.

O líder da coalizão CiU (Convergência e União, em catalão) acusou diretamente o presidente do governo Espanhol, Mariano Rajoy, do conservador Partido Popular, pela “guerra suja”. Disse que o PP está envolvido no vazamento do suposto relatório policial ao “El Mundo”.

“Se [Rajoy] quisesse impedir, teria feito. É a estratégia do PP e todos estão implicados nessa operação para tentar mudar a vontade do povo da Catalunha”, disse Mas.
Rajoy negou envolvimento, mas a troca de farpas foi o suficiente para que o jornal “El País” considerasse essa a campanha mais dura dos últimos 25 anos no país.

Com crise, sem crise

Apesar de a crise econômica ser um dos estopins da guinada independentista da CiU, o impopular tema de cortes de gastos e postos de trabalho não esteve nos discursos, totalmente voltados para a proposta de obter soberania da Espanha.
Artur Mas antecipou as eleições, previstas originalmente para 2014, com a proposta de receber das urnas votação consagratória suficiente para propor um referendo sobre a independência.

Além da crise, contribuiu para o movimento uma decisão da Justiça espanhola, de 2010, que retirou do estatuto que rege o governo da região autônoma a referência da Catalunha como “nação”.

Para analistas, esse foi um fator importante para reavivar rancores gradualmente apaziguados após o fim da ditadura franquista (1936-1975).
Durante o regime, o idioma catalão foi proibido nas escolas e na esfera pública em geral –só voltou com a redemocratização.

A causa levou milhares às ruas, especialmente os jovens. Para o analista político Gabriel Colomé “são os filhos da democracia que não entendem porque é tão difícil perguntar a opinião do povo”. “O problema é se Mas não organiza o referendo. Haverá uma geração, entre 14 e 22 ano, que será frustrada.”