A promotoria de Cleveland apresentou no final da tarde desta quarta-feira quatro acusações por sequestro e três por estupro contra Ariel Castro, de 52 anos, um dos suspeitos do caso das três mulheres resgatadas nesta semana, depois de permanecerem desaparecidas por cerca de 10 anos. Contudo, a promotoria não apresentou nenhuma acusação contra os dois outros irmãos de Ariel, Pedro Castro, de 54 anos, e Onil Castro, de 50, que também eram suspeitos pelos meus crimes.

O vereador de Cleveland Brian Cummins disse hoje que as três mulheres sofreram abuso sexual por um período prolongado e fizeram abortos. Cummins disse ter falado com fontes do governo e policiais sobre o caso e, segundo ele, muitos detalhes ainda não foram esclarecidos, como por exemplo o número de gravidez e as condições sob as quais os abortos aconteceram.

O vereador disse também que as mulheres foram mantidas no porão por algum tempo, sem terem acesso ao restante da casa. Cummins disse não ter detalhes sobre as condições em que elas foram mantidas em cativeiro. De acordo com a polícia, as mulheres foram aparentemente presas com cordas e correntes.

Vizinhos de Ariel Castro disseram que ele ajudou nas buscas e participou das vigílias pelas garotas. Quando a vizinhança se reuniu para uma vigília à luz de velas, um ano atrás, para lembrar uma delas, ele estava presente e confortando a mãe da vítima. Como quase todos na comunidade, formada principalmente por porto-riquenhos, Castro pareceu abalado em 2004 com o desaparecimento de Gina DeJesus e de outra adolescente, um ano antes.

A polícia acredita que Amanda Berry, de 27 anos, Michelle Knight, de 32, e DeJesus, de 23 foram mantidas no local desde o sequestro. Uma menina de 6 anos, que pode ser filha de Berry, também foi encontrada na casa, informou o chefe de polícia adjunto Ed Tomba, que não disse quem é o pai da criança.

Uma semana atrás, Castro levou a menina para um parque próximo, onde brincaram no gramado, afirmou Israel Lugo, um vizinho que mora na mesma rua. “Eu perguntei a ele de quem era a menina e ele me disse que ela era filha de sua namorada.”

As mulheres foram resgatadas depois de Berry ter derrubado a parte de baixo de uma porta de tela, que estava fechada, e usado o telefone de um vizinho para chamar as autoridades. Depois de resgatadas, elas tiveram contato com as famílias, mas permaneceram isoladas ontem. Na manhã de hoje, Berry chegou à casa de sua irmã em meio a uma multidão. “Por favor, respeitem nossa privacidade até que nós estejamos prontos para nos pronunciarmos”, disse a irmã Beth Serrano.

Gina voltou à casa de sua família na tarde de hoje em meio a pessoas entoando seu nome “Gina! Gina!”. A terceira vítima, Michelle está em boas condições em um hospital local.

Um parente dos irmãos Castro disse que a família está “totalmente chocada” após saber das mulheres desaparecidas que foram encontrada na casa. Juan Alicea disse que a prisão dos irmãos de sua mulher deixaram os parentes “tão surpresos quanto qualquer outra pessoa” da comunidade.

Ele afirmou que não vai à casa do cunhado desde o início da década de 1990, mas que jantou com Ariel Castro na casa de um outro irmão pouco antes das prisões, ocorridas na segunda-feira.

O chefe de polícia Michael McGrath disse nesta quarta-feira, em entrevista ao programa “Today”, da rede NBC, que as três mulheres eram mantidas amarradas e acorrentadas e tinham permissão para sair para o quintal ocasionalmente.

O filho de Ariel Castro, Anthony Castro, disse em entrevista ao jornal Daily Mail, de Londres, que fala poucas vezes por ano com o pai e raramente visita sua casa. Em sua última visita, duas semanas atrás, Anthony disse que o pai não permitiu que ele entrasse. “A casa estava sempre trancada”, disse ele. “Havia lugares onde nunca pudemos ir. Havia travas no porão, no sótão, na garagem.”

Anthony, que vive em Columbus, escreveu um artigo para um jornal comunitário em Cleveland a respeito do desaparecimento de Gina DeJesus, semanas após se sequestro. Na época, ele era estudante de jornalismo. “É indescritível o fato de eu ter escrito sobre isso dez anos atrás e descobrir que o caso está tão perto da minha família”, disse ele ao jornal The Plain Dealer.

Quase todos na vizinhança conhecem Ariel Castro. Os vizinhos dizem que ele tocava baixo em bandas de salsa e merengue e levava as crianças do bairro para andar em sua motocicleta.

Tito DeJesus, tio de Gina DeJesus, tocou em bandas com Castro nos últimos 20 anos. Ele se lembra de ter ido à casa de Ariel, mas nunca percebeu nada de diferente.

Juan Perez, que mora a duas casas da residência de Ariel, disse que ele estava sempre feliz e era atencioso. “Ele conquistou a confiança das crianças e de seus pais. Você só consegue isso se for legal”, afirmou.

Há até pouco tempo, Ariel Castro trabalhava como motorista de ônibus escolar. Ele era amigo do pai de Gina DeJesus, uma das mulheres desaparecidas, e ajudou nas buscas após seu desaparecimento, disse Khalid Samad, amigo da família.

“Nós saímos para procurar Gina, ele ajudou a distribuir os panfletos”, disse Samad, ativista comunitário que esteve no hospital com DeJesus e sua família na noite de segunda-feira. “Ele era amigo da família. ” As informações são da Associated Press.