O governo da China informou nesta quinta-feira (18) que está se preparando para enviar navios de guerra que irão se juntar às forças internacionais que combatem piratas somalis. O porta-voz do Ministério do Exterior, Liu Jianchao, disse que Pequim vê com bons olhos a criação de maior cooperação internacional para conter a pirataria, que tornou-se um grande problema o Golfo de Áden, na altura da costa da Somália, uma das vias com tráfego marítimo mais intenso do mundo todo. “A China está agora ativamente se preparando para enviar navios de combate para participarem em ações de proteção no mar da Somália e no Golfo de Áden”, disse Liu, sem dar maiores detalhes da missão.

Ele apontou que informações formais sobre a missão serão divulgadas posteriormente. A missão será a primeira do tipo da Marinha chinesa, que tem se concentrado principalmente na defesa de sua costa e não na proteção de navios em águas estrangeiras. De acordo com o jornal Global Times, publicado pelo Partido Comunista, a frota deve ser formada por dois navios de guerra e uma grande embarcação de suprimentos. “A pirataria tornou-se um inimigo internacional, significando uma grande ameaça para a navegação, comércio e segurança internacionais”, afirmou Liu.

A participação chinesa na missão ocorre após uma decisão unânime do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que autoriza os países a conduzirem ataques aéreos e terrestres contra os piratas do Golfo de Áden. Citando dados do Programa de Assistência Marinha do Leste da África, sediado no Quênia, Liu disse que 300 navios foram atacados por piratas no ano passado na região. Mais de 40 navios foram seqüestrados nos primeiros 11 meses deste ano. Em 2007, 1.265 navios chineses passaram pela região, uma média de três a quatro por dia, disse ele, e cerca de 20% estiveram sob ataque.

Neste ano, houve sete casos de ataques piratas envolvendo navios ou tripulações chineses, disse o porta-voz, dentre eles o navio de carga chinês atacado ontem na costa da Somália. A tripulação do Zhenhua 4 foi resgatada com a ajuda de uma força internacional contra pirataria. O navio, que pertence à China Communications Construction Co., foi atacado por nove piratas armados que subiram à embarcação, afirmou Liu.

Segundo meios de comunicação estatais, a tripulação lutou com os piratas usando uma mangueira de água de alta pressão e coquetéis molotov antes de se recolherem às suas cabines. Os tripulantes também enviaram um pedido de socorro ao Birô Marítimo Internacional, sediado na Malásia, que alertou uma força naval internacional que, por sua vez, enviou helicópteros e navios de guerra para fazer o resgate.