Os governos da China e da Nova Zelândia assinaram nesta segunda-feira (7) um amplo acordo de livre comércio, o primeiro do gênero do gigante asiático com um país desenvolvido. O acordo, assinado pelos ministros do Comércio chinês, Chen Deming, e neozelandês, Phil Goff, dará à Nova Zelândia mais acesso a uma das economias que mais cresce no mundo atualmente.

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, e sua colega neozelandesa, Helen Clark, estiveram presentes à cerimônia de assinatura, realizada no Grande Palácio do Povo, em Pequim. "Este é um dia histórico nas relações entre a China e a Nova Zelândia", declarou Wen antes da assinatura. "O acordo não significa apenas termos alcançado as metas determinadas há dois anos, mas também faz da Nova Zelândia, o primeiro país desenvolvido a ter um acordo de livre comércio com a China.

O chefe de governo chinês disse acreditar que o acordo aproximará ainda mais os dois países e será benéfico tanto para a China quanto para a Nova Zelândia. Clark, por sua vez, qualificou o pacto comercial com a nação mais populosa do planeta como "uma conquista de grande significado" para seu país de apenas 4,1 milhões de habitantes. A população da China é de 1,3 bilhão de habitantes.

O acordo foi obtido depois de 15 rodadas de negociações ao longo de três anos. Clark disse esperar que outros países sigam o exemplo da Nova Zelândia e fechem acordos de livre comércio com a China.

"A Austrália está em negociações com a China e gostaria de estar aqui onde estamos. Eu penso que isso também é do interesse da União Européia (UE), assim como da Organização Mundial do Comércio (OMC)", declarou.

O comércio bilateral entre China e Nova Zelândia é atualmente de US$ 6,1 bilhão por ano, com 75% das exportações tendo origem na China. Quando o acordo entrar em vigor, em 1º de outubro deste ano, as exportações neozelandesas, que hoje têm tarifas de até 5%, entrarão com tarifa zero no país asiático.

Os produtos neozelandeses que entrarem na China com tarifas mais elevadas serão inseridas gradualmente no programa de comércio bilateral, até que em 2013, 31% das exportações da Nova Zelândia entrem livres de tarifas no mercado chinês. A previsão é de que até 2019, praticamente todos os produtos exportados pela Nova Zelândia à China estarão isentos de tarifas de importação.

O acordo prevê ainda que 1.800 chineses poderão entrar na Nova Zelândia anualmente para trabalhar em áreas como medicina oriental, aulas de idiomas e serviços alimentícios.