O governo do Irã afirmou que o físico iraniano que retornou dos Estados Unidos na semana passada, em um misterioso caso de espionagem, era uma isca para atrair a CIA e “forneceu informações valiosas” sobre a inteligência norte-americana. Segundo a agência de notícias Fars, controlada pelo governo do Irã, Shahram Amiri permaneceu em contato com a Guarda Revolucionária, braço armado do regime dos aiatolás, enquanto esteve em território americano.

O Irã noticiou o caso do cientista como um duro golpe contra o serviço de inteligência norte-americano, que estaria desesperado por informações sobre o programa nuclear de Teerã. Amiri teria buscado se infiltrar entre espiões americanos e, uma vez nos EUA, constatado quanto a inteligência americana sabe sobre a pesquisa atômica do Irã.

Washington, do outro lado, afirma que o cientista aceitou US$ 5 milhões para fornecer dados e um laptop com informações para o serviço secreto americano. Ele teria se mudado para Tucson, no Estado do Arizona, onde cursaria um programa de doutorado. Mas Amiri decidiu voltar para Teerã porque sua família estava sendo ameaçada, disse o governo norte-americano.

“Foi uma batalha de inteligência entre a CIA e nós, delineada e administrada pelo Irã”, disse em condição de anonimato uma suposta fonte da espionagem iraniana à agência Fars.

“Tentamos obter informações de dentro da CIA. Depois que Amiri foi para os EUA, conseguimos estabelecer contato com ele no início do ano e obtivemos informações de grande valor. Ele foi guiado e orientado por nós”, reforçou a suposta fonte iraniana, que, em seguida, comemorou: “Agora a inteligência do Irã tem importantes detalhes de dentro da CIA. É uma grande vitória.”

Para provar suas alegações, o agente identificou duas placas de automóveis usados pelo serviço secreto norte-americano para transportar Amiri no Estado da Virgínia. Segundo ele, espiões e locais utilizados pela CIA também foram revelados.

Apesar de Amiri ter retornado ao Irã, a novela de espionagem envolvendo o físico iraniano está longe do fim. Ontem uma produtora de Teerã anunciou que pretende filmar uma minissérie sobre o misterioso caso. Amir Hossein Ashtianipour, diretor da Sima Film, disse que um grupo de roteiristas já está trabalhando no projeto.