Tomando o país de surpresa, cientistas forenses exumaram hoje o que acredita serem os corpos do ex-ditador romeno Nicolau Ceausescu e de sua mulher, Elena, com o objetivo de decifrar o mistério sobre onde eles foram realmente enterrados. Alguns romenos duvidam que Ceausescu tenha sido realmente enterrado no cemitério militar de Ghencea, no oeste da capital Bucareste. Ceausescu governou a Romênia por 25 anos com mão de ferro antes de ser deposto e executado durante a revolta anticomunista em 1989, que deixou mais de 1.000 mortos.

 

As informações sobre a exumação, o último acontecimento de um processo judicial que já dura cinco anos, foram divulgadas quando os romenos estavam acordando. Funcionários rapidamente fecharam o cemitério quanto dezenas de jornalistas começaram a chegar ao local. Meios de comunicação tiveram a entrada proibida, mas um repórter da Associated Press conseguiu entrar no cemitério durante a operação.

Um grupo de patologistas e funcionários do cemitério retirou os caixões de madeira de Ceausescu e de sua mulher, recolheram amostras dos corpos e as colocaram em sacos plásticos, um processo que durou mais de duas horas, antes de enterrá-los novamente. Funcionários disseram que vai levar até seis meses para determinar a identidade dos restos mortais.

Os restos mortais de Ceausescu estariam em melhor estado do que os de sua mulher, disse Mircea Oprean, genro do casal que presenciou a exumação. “Estamos perto de saber a verdade”, disse o filho do casal, Valentin Ceausescu, de 62 anos.

Ceausescu foi deposto em 22 de dezembro de 1989. Os romenos estavam cansados dos racionamentos e revoltados com o governo comunista. Ele tentou fugir de Bucareste de helicóptero, mas não pôde contar com a ajuda do piloto, que simulou um problema na aeronave e pousou, ajudando na prisão do ditador. Após um julgamento sumário, Ceausescu e sua mulher foram executados por um pelotão de fuzilamento no dia de Natal.