O clérigo muçulmano indonésio Abu Bakar Bashir, conhecido como o líder espiritual dos militantes que realizaram os ataques em Bali em 2002, foi condenado a 15 anos de prisão por seu apoio a um campo de treinamento terrorista descoberto no ano passado.

A condenação de Bashir por incitamento ao terrorismo ocorre após duas tentativas fracassadas dos promotores, nos últimos oito anos, de ligá-lo a atividades terroristas, incluindo uma condenação, posteriormente revogada, pelos ataques em Bali que mataram 202 pessoas.

A condenação relativamente severa para Bashir, que tem 72 anos, mostra a contínua determinação da Indonésia para lidar com movimentos extremistas. O veredicto foi anunciado num tribunal de Jacarta em meio a forte segurança, com quase 3,2 mil policiais e soldados patrulhando os arredores.

Bashir, que nega envolvimento com o terrorismo, rejeitou a decisão e seu advogado disse que vai apelar. “Este veredicto ignora a lei da Sharia e é baseado em leis infieis, então, sou proibido de aceitá-la”, disse Bashir no tribunal.

Centenas de partidários de Bashir que estavam do lado de fora do tribunal e seguravam faixas nas quais se lia “Liberte Abu Bakar Bashir” reagiram à decisão judicial. Muitos gritavam “Deus é Grande” e outros choravam. Os líderes pediram calma e a multidão se dispersou pacificamente.

O clérigo idoso é um poderoso símbolo para os radicais islamitas indonésios e, mesmo que não esteja operacionalmente envolvido em ataques terroristas, especialistas acreditam que ele forneça importantes sanções ideológicas para o extremismo violento.

Os promotores dizem que Bashir deu importante apoio ao campo de treinamento jihadista descoberto no começo de 2010 na província de Aceh, no oeste do país, que reunia homens de quase todos os grupos extremistas indonésios conhecidos. As informações são da Associated Press.