O aniversário de 85 anos de Margaret Thatcher, maior ícone político britânico, passou praticamente em branco. O 13 de outubro coincidiu com o resgate dos mineiros no Chile e deixou a dama de ferro no esquecimento, até porque, abatida por uma gripe, ela não foi à própria festa.

É verdade que a ex-primeira-ministra está afastada da vida pública por questões de saúde e já não inflama tanto a opinião pública. Mas a saga latino-americana roubou as atenções e comoveu o Reino Unido.

A cobertura ao vivo da BBC, por 36 horas seguidas, obteve a terceira maior audiência da história, com 6,8 milhões de telespectadores, perdendo apenas para os dois dias seguintes às eleições deste ano, que levaram o convservador David Cameron ao cargo de primeiro-ministro, após 13 anos de governo trabalhista, numa coalizão com os liberais democratas.

O canal enviou uma equipe de 26 pessoas ao Chile, incluindo o apresentador Matt Frei, que cobriu a queda do Muro de Berlim e a Guerra do Golfo. Ontem, a TV recebeu mais de três mil e-mails sobre o resgate dos mineiros.

O destaque foi tão grande que até gera polêmica, porque o custo da cobertura ultrapassou 100 mil libras (cerca de R$ 270 mil), conforme apontou o The Guardian – como a TV é bancada por uma taxa pública, seu orçamento é alvo de escrutínio.

A cobertura jornalística local foi ampla. O canal Sky também transmitiu ao vivo, com três apresentadores no local e análises da operação. O salvamento dos 33 chilenos ganhou destaque na capa de todos os jornais, até mesmo do Financial Times.

A maioria colocou o assunto como manchete principal, como o The Times (“O milagre de São José), o Daily Mirror (“Salvação!”) e o Daily Express (“Renascimento”). O The Guardian manteve um blog ao vivo em seu site por 43 horas para narrar a “inacreditável saga”.

Os veículos também mostraram o telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro-ministro britânico ao presidente Sebastián Piñera. Ele, aliás, visitará o Reino Unido na próxima semana e, em meio ao resgate, afirmou a Cameron que irá “tomar um chá em Downing Street”, referindo-se à residência oficial em Londres.

Na internet, os britânicos mostraram que acompanharam de perto o salvamento. “Assisti cada segundo do resgate”, afirmou um usuário de um site de notícias. “Estou me sentindo cansada depois de ter ficado a maior parte da noite vendo o resgate dos mineiros”, dizia uma mensagem do Twitter, entre tantas outras.