Investigadores encontraram ontem um colete com explosivos e bolinhas de metal numa discoteca em Kampala, capital de Uganda, o que sugere que uma terceira explosão durante a final da Copa do Mundo de futebol, no domingo, havia sido planejada. Quatro estrangeiros suspeitos foram detidos. O colete descoberto em um subúrbio da cidade apresenta semelhanças com o que foi visto nos locais de duas explosões também ocorridas na capital, disse o inspetor-geral de polícia, Kale Kaihura.

Ele continha bolinhas de metal, assim como as bombas que explodiram no domingo. Autoridades acreditam que suicidas participaram das duas explosões durante a final da Copa do Mundo. “O que encontramos aqui tem semelhanças com o que descobrimos nos dois locais de explosão. E trata-se de uma pista muito importante para nossa investigação”, disse Kaihura.

Segundo Edward Ochom, diretor de investigações criminais, quatro pessoas foram detidas por suspeita de ligação com o colete descoberto. Ochom não revelou a nacionalidade dos prisioneiros, mas disse que eles não são ugandenses. Kaihura sugeriu que somalis poderiam estar entre os detidos.

O inspetor-geral disse ainda que um grupo militante ugandense – as Forças Democráticas Aliadas (ADF, na sigla em inglês) – também pode ter participado do ataque, que até o momento deixou 76 mortos. Como o al-Shabab, que assumiu a responsabilidade pelos ataques, a ADF é um grupo radical muçulmano.

O al-Shabab é o mais perigoso grupo militante da Somália. Os islamitas querem que as forças de paz da União Africana deixem o país. O atentado promovido pelo al-Shabab, cujos combatentes são treinados por militantes veteranos dos conflitos no Afeganistão e no Iraque, eleva as preocupações com segurança no leste da África e tem implicações globais. No passado, o grupo recrutou norte-americanos de origem somali para realizar ataques suicidas em Mogadíscio.

O al-Shabab, grupo islâmico ultraconservador que tem sido comparado ao Taleban, há tempos ameaça realizar ataques fora das fronteiras da Somália. As explosões de domingo marcaram a primeira ação do grupo no exterior. “Nós advertimos Uganda a não enviar tropas para a Somália. Eles nos ignoraram”, disse o xeque Ali Mohamud Rage, porta-voz do al-Shabab. “Nós os advertimos a pararem de massacrar nosso povo e eles ignoraram. As explosões em Kampala foram apenas uma pequena mensagem a eles. Nós vamos atingi-los em outros lugares se Uganda não se retirar de nossa terra.” Rage disse ainda que outro país com forças de paz em Mogadíscio, o Burundi, pode enfrentar ataques em breve.