O ministro da Defesa da Colômbia, Gabriel Silva, qualificou como “agressão judicial” a decisão de um juiz do Equador de ordenar a captura do comandante das Forças Armadas colombianas, general Freddy Padilla. O pedido de prisão ocorreu pela participação de Padilla em um bombardeio a um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em solo equatoriano, em 2008.

“Aqui não estamos falando de indivíduos que têm que enfrentar uma agressão jurídica. Estamos falando de um Estado que se une integralmente para defendê-los”, afirmou Silva em entrevista, hoje, à emissora local Radio Caracol.

Silva também disse que, após a medida contra Padilla, foi suspensa uma reunião da Comissão Binacional de Fronteiras prevista para amanhã, no povoado equatoriano de Ibarra, entre delegados dos governos de Bogotá e Quito.

“No caso do ex-ministro Santos, como no do general Padilla, e qualquer outro oficial que seja vítima dessas agressões, o Estado colombiano, como um todo, e em particular o Ministério da Defesa, assumirá uma defesa vigorosa e profunda deles e dos casos em que os queiram envolver”, prosseguiu Silva.

As declarações de Silva são uma resposta à decisão do magistrado equatoriano Francisco Revelo, que em Quito anunciou ontem que ordenou a captura de Padilla por ter sido o militar que encabeçou uma operação militar em território equatoriano, em 1º de março de 2008, que resultou na morte do então número 2 das Farc, Raúl Reyes.

A decisão de Revelo gerou críticas também do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Uribe disse, porém, que pretende manter o diálogo para restabelecer as relações diplomáticas entre Quito e Bogotá.

No Equador, o governo reafirmou sua vontade política de avançar e construir um diálogo com a Colômbia e notou que a função judiciária é independente e o Executivo não pode interferir nele.