A Comissão de Medicina Legista norueguesa acredita que o ultradireitista Anders Behring Breivik conseguiu enganar os psiquiatras responsáveis pelo segundo exame mental para que ele pudesse ser considerado penalmente responsável pelos atentados de 22 de julho. No julgamento em Oslo, o grupo que aprova os estudos possui duas conclusões opostas: a primeira, que Breivik sofre de esquizofrenia, e o segundo, que padece de alterações de personalidade e, portanto, é responsável penalmente.

A conclusão do primeiro relatório provocou uma forte reação na Noruega e levou o tribunal a realizar outro estudo pelos psiquiatras Torgeir Tørrissen e Agnar Aspaas, que observaram Breivik por três semanas na prisão. “O ponto de partida é que, como não foram observados sinais de psicoses nesse período, é pouco provável que seja psicótico. Mas, gostaria de discutir isso melhor, pois vi pacientes ocultar os sintomas por mais de três semanas”, disse Karl Heinrik Melle, líder da comissão, em um testemunho retransmitido pelo canal “NRK”.

Para Melle, Breivik tem acesso desde dezembro aos meios de comunicação e por isso pode ter adequado suas respostas para conseguir um diagnóstico diferente. No entanto, esse aspecto foi ignorado pelos agentes que o observaram na prisão. O líder da comissão legista acredita que a exposição da imprensa ao mesmo tempo em que ocorre o julgamento dificultou o trabalho da segunda equipe psiquiátrica e que o primeiro grupo, Synne Sørheim e Torgeir Husby, contaram com “um melhor ponto de partida” ao observar Breivik.

O extremista estava em regime de isolamento quando o estudaram. Melle disse que apoia o diagnóstico do primeiro, que qualificou de um estudo “mais acadêmico”. Ele ainda argumentou que o fato de Breivik ter passado anos planejando os atentados mostra que isso ocupou toda sua vida e sua compreensão da realidade, o que impediu sua convivência normal dentro da sociedade, de modo que aconteceu uma ruptura com a realidade e ele pode ser considerado psicótico em sentido penal.

Contudo, no julgamento, algumas respostas evasivas e confusas de Melle provocaram aborrecimento em um dos juízes, assim como em um dos representantes legais das vítimas, sobretudo porque até hoje não era conhecido qualquer desacordo interno entre os membros da comissão para reconhecer o primeiro relatório. Enquanto isso, Breivik lamentou a “falta de competência” da comissão na hora de julgar a ideologia ultradireitista e insinuou que os especialistas foram vítimas de pressões.

Sørheim e Husby terão amanhã a oportunidade de explicar detalhadamente seu relatório perante o tribunal, enquanto Tørrissen e Aspaas falarão na sexta ou segunda-feira. Essas declarações serão fundamentais para determinar se a Promotoria vai dar uma pena de prisão para Breivik, no caso de ele ser considerado penalmente responsável pelos seus atos, ou sua entrada em um centro psiquiátrico, caso contrário.