Duas pessoas morreram e 400 ficaram feridas, entre elas 300 policiais, em conflitos na Argélia relacionados ao aumento dos custos dos alimentos e do desemprego, afirmou neste sábado o ministro do Interior do país, Dahou Oul Kablia.

Uma das vítimas foi morta a tiros na sexta-feira, em Ain Lahdjel, na região de M’Sila, a 300 quilômetros a sudeste da capital Argel, disse o ministro à rádio nacional. “Ele morreu em uma tentativa de invadir uma delegacia de polícia”, acrescentou Kablia, confirmando uma reportagem do jornal de língua árabe El Khabar, que afirmou que a vítima de 18 anos se chamava Azzedine Lebza.

Um segundo manifestante foi morto ontem em Bou Smail, uma pequena cidade a 50 quilômetros a oeste de Argel, declarou o ministro. “Ele foi encontrado ferido na rua. Um patologista disse que ele tinha morrido devido a ferimentos na cabeça, mas a causa da morte ainda não foi estabelecida”, disse Kablia.

Um médico disse mais cedo que Akriche Abdelfattah, de 32 anos de idade, tinha sido atingido no rosto por uma lata de gás lacrimogêneo.

Kablia disse que a polícia havia sido ordenada a reprimir as manifestações e tinha sido paga para isso. “Mais de 300 policiais ficaram feridos, enquanto do outro lado, há menos de 100 feridos”, destacou o ministro.

Segundo o relato do jornal El Khabar sobre a primeira morte, os policiais abriram fogo quando manifestantes tentaram invadir os correios e um prédio do governo. O jornal disse que três amigos de Lebza também foram feridos.

Insatisfeitos com o desemprego galopante no país, os jovens entraram em conflito com a polícia em Argel e várias outras cidades argelinas na sexta-feira, apesar dos apelos dos pregadores islâmicos por calma no terceiro dia de protestos.

Em Annaba, a 600 quilômetros a oeste de Argel, 17 pessoas ficaram feridas, incluindo três policiais, quando manifestantes atiraram pedras, de acordo com os serviços de emergência e um policial que pediu para não ser identificado.

O tumulto, que eclodiu depois das orações de sexta-feira em um bairro pobre da cidade, continuou pela noite a dentro. Um escritório do governo local foi saqueado, segundo testemunhas.

Os manifestantes também cortaram a energia elétrica durante a noite, afetando o subúrbio da classe trabalhadora de Auzas.

Em Tizi Ouzou, a capital da região da Cabília, moradores disseram que o tumulto se espalhou a partir do centro da cidade para a periferia, e os manifestantes queimaram pneus e bloquearam a estrada principal para Argel.

Protestos semelhantes ocorreram no distrito de Belcourt, em Argel, mas a capital estava mais calma neste sábado.

O governo da Argélia marcou uma reunião de gabinete para hoje, onde seriam discutidas maneiras de tentar controlar os preços dos alimentos básicos em uma tentativa de frear os aumentos de preços, que em alguns casos chegaram a 30% desde 1º de janeiro. As informações são da Dow Jones.