No segundo dia de confrontos em Uganda, pelo menos seis pessoas morreram hoje na capital Kampala e em outras regiões do país. Ao todo, 13 pessoas já morreram na disputa entre o governo e partidários do reino de Buganda, um dos quatro mais antigos de Uganda. Barricadas de pneus em chamas foram erguidas na capital enquanto multidões atiravam pedras pelas ruas, mostrando as crescentes tensões num país conhecido por sua relativa estabilidade e crescimento econômico. Desempregados também se juntaram aos protestos.

A possibilidade de que a violência continue amanhã aumentou depois que a polícia informou que vai impedir que o rei de Buganda, Ronald Muwenda Mutebi II, viaje para participar de uma reunião política. A recusa do governo em permitir a viagem, por questões de segurança, deu início às manifestações de ontem. Os partidários do rei afirmam que ele deveria ter liberdade para viajar livremente.

Os reinos tradicionais de Uganda foram proibidos em 1966, mas o presidente Yoweri Museveni promoveu seu restabelecimento em 1993. Seus líderes, porém, receberam um papel essencialmente cerimonial para evitar rivalidades políticas. Os integrantes do reino Buganda formam o maior grupo étnico do país, mas há confrontos entre eles e a tribo Banyara, que afirma que os Buganda recusam-se a reconhecê-los.

Segundo o analista Solom Male, os confrontos estão se tornando o foco de outros grupos, insatisfeitos com o governo. “Essas pessoas que fazem manifestações nas ruas são desempregadas e pobres”, disse ele. “O governo não resolveu seus problemas”.