Rebeldes curdos atacaram uma delegacia de polícia na Turquia e dispararam contra funcionários do setor ferroviário em dois ataques separados que deixaram cinco mortos, disseram autoridades nesta sexta-feira. Os episódios ocorrem em meio aos novos confrontos entre as forças de segurança e insurgentes, que ameaçam o frágil processo de paz nacional.

A violência aumentou bastante na última semana na Turquia, com o governo lançando ataques aéreos contra bases do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no norte iraquiano, enquanto rebeldes realizaram mais ataques contra as forças de segurança do país. Cerca de 20 pessoas, a maioria soldados, morreram por causa da violência nos últimos dias.

Os militantes do PKK atacaram uma delegacia de polícia na cidade de Pozanti, na província de Adana, sul do país, no fim da quinta-feira, matando dois policiais e iniciando uma troca de tiros que resultou na morte de dois rebeldes, disse o governador Mustafa Buyuk. Em Kars, no leste turco, rebeldes detonaram uma bomba colocada sobre um trilho ferroviário e posteriormente atacaram os funcionários que tentavam reparar a linha, disse o vice-governador regional Adem Unal à agência estatal Anadolu. Um dos trabalhadores foi morto.

Na semana passada, a Turquia realizou ataques aéreos contra alvos do Estado Islâmico. Além disso, passou a atacar alvos do PKK, após um ataque reivindicado pelos rebeldes curdos que deixou dois policiais mortos. Isso complica a guerra dos EUA contra os militantes do Estado Islâmico, que depende bastante dos combatentes sírios curdos ligados aos rebeldes curdos da Turquia.

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, disse que os ataques do país irão continuar até que os combatentes do PKK entreguem suas armas.

Ativistas curdos e críticos do governo da Turquia dizem que Ancara fortaleceu sua posição contra o PKK de olho no fortalecimento do partido governista, que tenta atrair mais votos antes de uma possível nova eleição em novembro. O Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), de Davutoglu, perdeu sua maioria parlamentar em junho e tem até 24 de agosto para formar uma coalizão. Caso não consiga, terá de convocar novas eleições. Fonte: Associated Press.