A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou na madrugada de hoje o projeto legislativo destinado a cancelar os efeitos do chamado abismo fiscal, que poderia levar a principal economia do mundo à recessão.

Os legisladores aprovaram, sem mudanças, por 257 votos a favor e 167 contra, o projeto encaminhado pelo Senado, que mantém as reduções tributárias para a maioria dos americanos e adia por dois meses os drásticos cortes automáticos nos gastos públicos.

O plano aumenta de 35% a 39,6% os impostos para as famílias com renda superior a US$ 450 mil ao ano. A nova alíquota equivale à de duas décadas atrás. No dia anterior, o Senado havia aprovado o texto, com 89 votos a 8.

O texto mantém o nível atual da carga tributária para 98% das famílias e 97% dos pequenos negócios.

O acordo não prorroga, no entanto, o rebaixamento temporário das retenções sobre salários aprovadas pelo presidente Obama dentro das medidas de estímulo à economia, pelo que alguns americanos notarão, a partir desta quarta-feira, uma redução de seus salários líquidos.

Embora repudiem qualquer aumento de impostos, os republicanos aceitaram votar a favor da medida para evitar o abismo fiscal. Um número significativo de republicanos exigia uma emenda para cortar as despesas do governo em US$ 300 bilhões.

Férias

Obama já deixou a Casa Branca para retomar as férias no Havaí depois que o Congresso aprovou a lei nesta madrugada. Ele deixou a Casa Branca pouco após a meia-noite. Ele havia interrompido as férias na semana passada para coordenar os esforços por um acordo antes do Ano Novo.

O acordo foi uma vitória de Obama, reeleito com a promessa de resolver problemas econômicos em parte pelo aumento dos impostos sobre os mais ricos. Os republicanos foram forçados a votar contra um princípio central de seu conservadorismo.

O texto também resolve, por ora, dúvidas sobre se os EUA podem superar diferenças ideológicas profundas para evitar um agravamento da situação econômica, que só agora começa a melhorar, após a pior recessão em 80 anos.

Consumidores, empresas e os mercados financeiros foram abalados com os meses de impasse a respeito do orçamento. A crise só terminou quando republicanos na Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados) aceitaram os aumentos de impostos aprovados pelo Senado, controlado pelos democratas.

As bolsas asiáticas atingiram máxima de cinco meses e o dólar caiu, conforme os mercados saudavam a notícia.

Drama

O acordo evitou o abismo fiscal, mas não resolveu outros confrontos políticos dos próximos meses. Os cortes de gastos de US$ 109 bilhões em programas militares e domésticos só foram adiados por dois meses.

Obama pediu “um pouco menos de drama” quando o Congresso e a Casa Branca forem negociar as próximas questões fiscais, como a extensão da autoridade de empréstimo do país. “Embora eu vá negociar muitas coisas, não terei outro debate com o Congresso sobre se devem ou não pagar as contas que eles já acumularam”, disse Obama, na

Casa Branca

Houve muito drama no primeiro dia de 2013. Enquanto o resto do país comemorava o Ano Novo, o Senado ficou reunido até 2h horas da terça-feira.

Foi a primeira vez em 40 anos que a Casa teve de se reunir na noite de Ano Novo.
Em 2011, a disputa com os republicanos sobre o teto da dívida levou a agência de classificação financeira Standard and Poor’s a reduzir a nota da dívida dos EUA.