Em razão de uma página que encoraja os usuários a postar imagens do profeta Maomé, uma corte do Paquistão ordenou hoje que o governo bloqueie o Facebook, disse um alto funcionário do tribunal. A página da rede social provocou críticas no Paquistão e em outros países, pois o islã proíbe qualquer representação do profeta. Na tarde de hoje, o acesso ao Facebook era intermitente no Paquistão. Aparentemente, alguns provedores de internet já estão tentando implementar a determinação judicial.

Uma série de cartuns com imagens do profeta Maomé, publicadas em um jornal dinamarquês em 2005, causou violentos protestos e ameaças de morte contra cartunistas. A página do Facebook “Dia de todos desenharem Maomé!” encoraja os usuários a postar imagens do profeta, a fim de protestar contra as ameaças feitas por um grupo muçulmano radical aos criadores do “South Park”, após o desenho retratar Maomé com uma fantasia de urso, em um episódio veiculado mais cedo neste ano.

“Nós não queremos difamar o muçulmano comum”, afirma a seção de informação da página do Facebook. “Nós simplesmente queremos mostrar aos extremistas que ameaçam ferir pessoas por causa de imagens de Maomé que nós não estamos com medo deles. Que eles não podem cercear nosso direito de liberdade de expressão tentando nos assustar e silenciar.”

Em uma tentativa de responder às críticas internas, o governo do Paquistão ordenou ontem que os provedores de serviço de internet no país proíbam a página do Facebook, informou Khurram Ali, um porta-voz da Autoridade de Telecomunicações do Paquistão, que regula as redes de telecomunicações do país.

Um grupo de advogados islâmicos, porém, havia pedido hoje à Alta Corte de Lahore que ordene o governo a bloquear completamente o Facebook, pois o site permitiu que a página sobre Maomé fosse postada, disse o vice-promotor-geral da província do Punjab, Naveed Inayat Malik.

A corte atendeu a um pedido do Fórum de Advogados Islâmicos e ordenou que o governo bloqueie temporariamente o site, até 31 de maio, disse Malik. Advogados fora da corte comemoraram a decisão, gritando “Fora, Facebook”.