Nem quando a Colômbia bombardeou um acampamento das Farc no Equador, em 2008, ou capturou o guerrilheiro Rodrigo Granda na Venezuela, em 2005, Caracas e Bogotá haviam chegado ao extremo do rompimento total de relações. Ontem, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia e determinou “alerta máximo” na fronteira. Segundo analistas, as fotos de um guerrilheiro tomando cerveja numa suposta praia da Venezuela causaram tamanho estrago na relação bilateral por uma série de questões internas.

Do lado venezuelano, Chávez aproxima-se das eleições legislativas de 26 de setembro numa situação delicada. A economia vai mal. O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 5,8% no primeiro trimestre e a inflação deve ficar acima dos 30%. Três anos após o início da implementação de seu “socialismo do século 21” os investimentos minguaram e agora nem a recuperação do preço do petróleo parece salvar o país da recessão.

“A decisão de romper as relações com a Colômbia lança uma cortina de fumaça sobre todos esses problemas”, opina o analista venezuelano Carlos Romero, especialista em política externa. “Essa pode ser uma tentativa chavista de obter apoio para as eleições, apelando ao sentimento nacionalista da população.”

Do lado colombiano, a disputa com Caracas é inflada no bojo de uma transição política delicada. Depois de oito anos no poder, Álvaro Uribe passará o cargo no dia 7 para seu ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos após uma tentativa frustrada de impulsionar uma reforma constitucional que lhe permitiria concorrer ao terceiro mandato. “Santos parece ser o grande perdedor dessa história”, afirma Romero.

O representante colombiano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Alfonso Hoyos, acusou ontem, na entidade, Caracas de esconder guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em seu território. A acusação motivou o rompimento da relação bilateral entre os dois países sul-americanos.