O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) lançou uma advertência sobre a situação dos serviços básicos na Faixa de Gaza, pedindo que Israel suspenda o bloqueio que impôs em resposta ao lançamento de foguetes caseiros por militantes palestinos. A agência disse que um carregamento de produtos básicos seria enviado para Gaza ainda hoje, mas ponderou que tem de ter permissão para entregar regularmente a ajuda humanitária a fim de evitar o colapso dos serviços sanitários e de saúde no território palestino. "A distribuição de produtos básicos tem de ser assegurada no longo prazo para prevenir mais miséria e evitar o colapso da já frágil infra-estrutura", disse Dorothea Krimitsas, uma porta-voz do CICV.

Israel bloqueou completamente a Faixa de Gaza na quinta-feira, impedindo a entrega de combustível, alimentos e remédios. Três dias depois, a única usina elétrica de Gaza, que produz eletricidade para cerca de um terço dos 1,5 milhão de residentes parou de funcionar. Israel permitiu que uma pequena quantidade de combustível fosse entregue para a usina hoje, suspendendo parcialmente o bloqueio, mas Krimitsas disse que a situação ainda é muito precária, com hospitais economizando combustível para manter serviços de urgência, como cirurgia e as unidades de tratamento intensivo.

Mas falta material de saúde e a equipe médica enfrenta problemas para chegar ao trabalho porque Israel não liberou combustível para o transporte, disse Krimitsas. "Não há aquecimento central funcionando nos hospitais", acrescentou. Krimitsas afirmou que Israel tem de permitir que os palestinos possam ter uma vida normal e não depender da assistência humanitária. A CICV é guardiã das Convenções de Genebra, que considera punição coletiva contra uma população civil como crime de guerra. "Apenas a ajuda humanitária não vai ajudar a conter a crise", avaliou. "O mais importante são os passos políticos para garantir que mercadorias possam ser distribuídas em Gaza para tornar a vida mais suportável".