Os civis afegãos serão os mais afetados caso haja uma piora na guerra no Afeganistão neste ano, apontou um alto funcionário da Cruz Vermelha nesta segunda-feira (2). O diretor de operações do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Pierre Krahenbuhl, disse ser preciso que as partes em confronto, inclusive os militantes do Taleban, trabalhem para proteger os civis. As mortes de não-combatentes estão “significativamente maiores” hoje, em comparação com um ano atrás. A intensificação do conflito neste ano pode significar consequências para muitos outros afegãos que seriam “terríveis ao extremo”, segundo Krahenbuhl.

“As vidas das pessoas vivendo em áreas onde os confrontos ocorrem estão sendo desorganizadas, seja por causa dos ataques aéreos, ataques noturnos, pelo uso de bombas caseiras ou pela intimidação e pressão sobre as populações, cooptadas pelas diferentes partes desse conflito”, afirmou Krahenbuhl. As Nações Unidas informaram no mês passado que morreram no conflito afegão 2.118 civis em 2008, um aumento de 40% em relação ao ano anterior. A entidade afirma que 55% das mortes foram causadas por ataques de insurgentes. Já as forças dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) ou do governo são responsáveis por 39% dessas vítimas. Os outros 6% ocorreram durante fogo cruzado.

A Otan informou que uma operação na província de Helmand, realizada em 23 de fevereiro, deixou oito civis mortos e 17 pessoas feridas. O comunicado da aliança informa que também houve baixas no “inimigo”. Os ataques do Taleban aumentaram nos últimos três anos e os militantes agora controlam grandes porções do interior do país, onde as forças da Otan e afegãs não conseguem manter a segurança. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou o envio de mais 17 mil soldados norte-americanos, para auxiliar os 38 mil já no país.