Cuba está disposta a libertar mais presos políticos do que os 52 anunciados há uma semana. A informação foi dada ontem, em Genebra, pelo presidente da Assembleia Nacional de Cuba, Ricardo Alarcón, um dos principais nomes da diplomacia cubana, após reuniões com funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU). Porém, Alarcón impôs duas condições: os presos não podem ter cometido “crimes de sangue” e a Igreja Católica é quem tem de solicitar suas libertações.

Há dois dias, ele já havia prometido que todos os 52 presos políticos seriam soltos. Mas, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ele fez questão de dizer que as pessoas recentemente libertadas não eram “dissidentes”, mas “criminosos”. Ontem, ele disse que “a vontade do governo cubano é tirar todos da prisão”, exceto aqueles que cometeram crimes comuns. “A condição para a libertação é a de que não pesem sobre eles a responsabilidade pela vida de outras pessoas.”

A promessa foi feita na sede da ONU, em Genebra, um dia depois que o secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, pedisse que Havana tomasse “novas medidas de reconciliação” e afirmasse que a liberação dos 52 presos “não havia sido suficiente”. Os 52 presos fazem parte de um grupo de 75 pessoas detidas em 2003 durante uma onda de repressão chamada de Primavera Negra.