O governo de Cuba autorizou a libertação de mais cinco dissidentes, que aceitaram deixar a prisão e serem transferidos para a Espanha, segundo informações divulgadas ontem pela Igreja Católica local. Os cinco não estão na lista dos 52 que já começaram a ser libertados após o acordo fechado em maio entre governo e igreja. Os cinco dissidentes são Juana Maria Nieves, Domingo Ozuna, Juan Francisco Marimón, Misael Mena e José Luis Ramil.

A novidade foi divulgada horas após o Parlamento Europeu conceder o prêmio Sakharov de direitos humanos ao dissidente cubano Guillermo Fariñas, que fez longas greves de fome contra o governo de Havana. Após receber o anúncio do prêmio, Fariñas pediu o fim da “ditadura” comunista na ilha. O dissidente, que comanda um serviço de notícias pela internet considerado ilegal pelo governo cubano, o Cubanacan Press, fez uma greve de fome de 135 dias neste ano, e ficou perto de morrer. Ele se recusou a comer até que o governo cubano iniciasse a libertação dos dissidentes anunciados pelo acordo.

Pelo acordo fechado com a Igreja Católica em maio, Cuba concordou em libertar 52 dos 75 presos políticos do país, sentenciados em 2003 a penas de até 28 anos. Já foram libertados 39. Pelo acordo, todos devem ir para a Espanha até novembro. Porém 13 deles se recusam a deixar o país e permanecem presos. Na segunda-feira, os ministros de Relações Exteriores da União Europeia se encontram para revisar a restritiva política do bloco para Cuba. Os Estados Unidos se recusam a retirar o embargo econômico de 62 anos contra o regime comunista. As informações são da Dow Jones.