A Espanha recebeu ontem os primeiros sete dissidentes políticos de Cuba libertados após o acordo firmado entre o governo de Raúl Castro, a Igreja Católica e o governo espanhol. Em seus primeiros pronunciamentos após a chegada em Madri, os prisioneiros, membros do chamado Grupo dos 75, encarcerados na Primavera Negra de 2003, anunciaram a intenção de lutar no exterior pela democracia na ilha. “Cuba merece a democracia”, afirmou o jornalista Ricardo González Alfonso. Hoje, três novos detentos devem ser libertados.

Os primeiros seis dissidentes, Léster González, Omar Ruiz, Antonio Villarreal, Julio César Gálvez, José Luis García Paneque e Pablo Pacheco, acompanhados de seus parentes, chegaram em solo espanhol por volta das 13 horas (8 horas de Brasília) em um voo comercial. Uma hora depois, o sétimo membro, Ricardo González, juntou-se ao grupo. Todos haviam passado em Havana por um processo de entrevistas para a concessão de vistos de imigrantes, tratamento que, em termos diplomáticos, os diferencia do status de deportados.

Único a responder aos jornalistas, Ricardo González foi mais claro em sua disposição de lutar pelo fim da ditadura e descreveu a libertação como “um passo, mas não o último”. “Uma palavra cabe a Cuba: mudança. Para mim e para os meus companheiros a mudança começa pela liberdade.”