A Cúpula da América Latina e Caribe (CALC), evento inédito coordenado pelo governo brasileiro, divulgará nesta quarta-feira (17) uma declaração especial de condenação ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba, vigente desde fevereiro de 1962. Na terça, em brevíssima reunião, os líderes de 18 países latino-americanos que formam o Grupo do Rio decidiram pela inclusão de Cuba.

Horas antes, o presidente cubano, Raúl Castro, havia lido um breve discurso na reunião do Mercosul, na condição de convidado especial da presidência brasileira do bloco. Embora tenham pouca repercussão prática, esses fatos somaram-se ao claro viés antiamericano dos quatro eventos de cúpula organizados e comandados desde ontem pelo Brasil, que tiveram como principal estrela o irmão de Fidel Castro.

Nos encontros de terça, Raúl Castro evitou tocar diretamente no conflito entre seu país e os EUA. Indiretamente, atingiu Washington ao condenar as políticas neoliberais e ao dizer que a crise internacional foi o resultado de uma “ordem econômica injusta e egoísta”, supostamente contrária à adotada nos últimos 50 anos por Havana.

Negociação

Na noite de segunda-feira, ao chegar ao balneário baiano, Raúl Castro havia declarado à imprensa que esperava encontrar no futuro presidente americano, Barack Obama, disposição para uma conversa sobre o fim do embargo. “Se o senhor Obama quer discutir, discutiremos”, afirmou. “É cada vez mais difícil manter Cuba isolada. Somos pequenos, mas demonstramos que não é possível nos dominar facilmente.”

Ainda ontem, em nova atitude de confrontação a Washington, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, informou que defenderá a inclusão de Cuba na Cúpula das Américas. Trata-se de um mecanismo criado em 1994, sob a liderança dos EUA, que deu substância legal para a negociação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e excluiu Cuba sob a alegação de que o país rompeu com a ordem democrática.

Sapatada

Ao chegar atrasado na Costa do Sauípe, quando a reunião do Mercosul já havia terminado, Chávez não deixou passar o episódio do ataque a sapatadas de um jornalista iraquiano ao presidente dos EUA, George W. Bush, no domingo, em Bagdá. “Vamos pedir respeito ao novo governo dos EUA. Vejam os sapatos que jogaram em Bush. Os que eu trouxe são muito mais leves.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.