A Comissão Eleitoral do Quênia anunciou nesta terça-feira que mais de 325 mil votos rejeitados nas eleições presidenciais realizadas ontem no país africano serão contabilizados pelos apuradores, o que torna muito provável a realização de um segundo turno entre os dois candidatos mais votados.

Os votos foram rejeitados por desrespeito às normas estabelecidas pela Comissão Eleitoral, o que alimentou críticas em relação aos esforços de orientação aos eleitores quenianos.

Apesar de terem sido rejeitados, os votos farão parte da contagem final. Por se tratar de quase 330 mil votos de um universo de aproximadamente 14 milhões, analistas consideram provável que nenhum dos candidatos consiga o mínimo de 50% dos votos para vencer em primeiro turno.

A decisão de contabilizar os votos rejeitados vem à tona enquanto a apuração transcorre lentamente.

Resultados parciais divulgados mais cedo apontavam o vice-primeiro-ministro Uhuru Kenyatta na liderança com 53% dos votos. Filho do presidente que fundou o Quênia moderno, Kenyatta é procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por suspeita de envolvimento na orquestração dos episódios de violência pós-eleitoral que deixaram mais de mil mortos entre 2007 e 2008.

Kenyatta aparecia à frente do primeiro-ministro Raila Odinga, que tinha 42% votos. A parcial levou o campo do primeiro-ministro Raila Odinga a convocar uma entrevista coletiva para informar a seus seguidores que a maior parte dos votos em seus redutos eleitorais ainda não tinha sido computada.

Até agora só foram apurados 40% dos votos e observadores acreditam que Odinga deve avançar. “Se a melhora da performance de Odinga se confirmar, como parece provável, e essa decisão sobre os votos rejeitados for mantida, um segundo turno será inevitável”, avaliou Nic Cheeseman, especialista em política africana e observador da eleição queniana.

O índice de comparecimento às urnas na segunda-feira foi estimado em 70%. Episódios de violência relacionados ao pleito resultaram na morte de pelo menos 19 pessoas na segunda-feira. As informações são da Associated Press.