A Rússia, uma das mais poderosas aliadas da Síria, admitiu pela primeira vez hoje que o presidente sírio Bashar Assad está perdendo o controle do país e os rebeldes podem ganhar a guerra.

A declaração muda o cenário diplomático do conflito em um momento em que a oposição vem ganhando espaço.

Pelo menos 16 pessoas morreram e outras 25 ficaram feridas hoje após a explosão de um carro-bomba em Qatana, a 25 quilômetros de Damasco, na Síria.

A informação é do canal de televisão libanês Al Manar, do movimento radical Hizbollah.

Segundo a agência de notícias estatal SANA, o veículo explodiu perto de uma escola em uma área residencial. Dentre os mortos na ação, estão sete crianças e um número indeterminado de mulheres. Houve danos em prédios e veículos estacionados na região.

O vice-chanceler russo, Mikhail Bogdanov, declarou que os fatos têm que ser encarados. “Infelizmente, a vitória da oposição síria não pode ser descartada”, completou.

Bogdanov, que é o enviado especial do Kremlin para o Oriente Médio, disse que o governo sírio está perdendo o controle e que Moscou está se preparando planos para a evacuação de cidadãos russos se necessário, mas não disse quando isso pode acontecer.

Apesar de não ter dado nenhum sinal imediato de que a Rússia irá mudar sua posição e concordar com a imposição de sanções internacionais ao regime de Assad, suas declarações podem ser vistas como uma traição em Damasco e fazer com que sírios mudem de lado e deixem de apoiar o governo.

A avaliação da Rússia também pode fortalecer os rebeldes, que tiveram significativos ganhos em sua ofensiva ao capturar bases militares e ameaçando a posição de Assad em Damasco.

“Temos que analisar os fatos: há uma tendência de progressiva perda de controle por parte do governo, em uma porção cada vez maior do território”, afirmou Bogdanov.

Conflito

Nos últimos meses, a capital síria sofreu grandes atentados contra prédios governamentais e áreas dominadas por partidários do regime, que as autoridades afirmam terem sido feito por terroristas, enquanto a oposição ao ditador Bashar Assad reivindica os ataques.

No dia 18 de outubro, o Ministério do Interior foi alvo de uma moto-bomba, que explodiu sem causar danos materiais. O golpe mais grave ao governo foi em 18 de julho, quando quatro membros do alto escalão do regime foram mortos em uma ação contra um prédio de Damasco.

Um dos últimos atentados na cidade aconteceu em Jaramana, bairro de maioria cristã e drusa, em 28 de novembro. A ação deixou 34 mortos e foi reivindicada pelo grupo Jabhat al Nusra, que diz ter vinculação com a rede terrorista Al Qaeda.

A organização foi incluída na lista de terroristas do governo americano e é uma das principais razões para que os países ocidentais não financiem o armamento dos rebeldes sírios contra o regime de Assad. Desde o início dos confrontos, pelo menos 40 mil pessoas morreram na Síria, segundo ativistas.