Partidos populistas de direita em toda a Europa celebraram nesta segunda-feira a surpreendente vitória de seu aliado na Áustria, o que destaca o profundo descontentamento popular com a classe política da Europa e a gestão do continente da crise migratória.

Da França e da Alemanha passando pelo Reino Unido, os políticos eurocéticos e anti-imigrantes louvaram o desempenho do Partido da Liberdade da Áustria. Norbert Hofer – o candidato do partido para o cargo de presidente, que é meramente cerimonial no país – obteve 35,1% dos votos no primeiro turno. Esse nível é mais do que o triplo registrado por qualquer um dos dois principais partidos austríacos.

“Em um grande número de países da Europa, os movimentos patrióticos estão aumentando vigorosamente”, afirmou a líder populista francesa Marine Le Pen. “Isso está se tornando o caminho que a história está apontando.”

Hofer fez da oposição à imigração e ao livre comércio a peça central de sua campanha. Ele enfrenta agora candidato de centro-esquerda Alexander Van der Bellen, que defende a abertura de fronteiras aos refugiados e obteve 21,3% dos votos no primeiro turno. A etapa final da votação ocorre em 22 de maio.

A Áustria, que população de cerca de 8,5 milhões de pessoas, normalmente tem pouca influência na tomada de decisões da União Europeia. Mas a ascensão acelerada do direita populista do país e o encolhimento do mainstream moderado serve como um termômetro para o resto da Europa.

A votação foi observado de perto na França, onde a Frente Nacional de Le Pen deve ter bom desempenho nas eleições presidenciais no próximo ano, e no Reino Unido, onde a campanha contra a permanência na União Europeia tem tido apoio até mesmo de oponentes da esquerda.

“Este não é apenas uma tendência austríaco – é uma tendência europeia”, disse Peter Hajek, um proeminente pesquisador com sede em Viena. “Estes tempos não são exatamente fáceis para os partidos pan-europeus.” Fonte: Dow Jones Newswires.