Dois diretores da Receita Federal da Argentina foram demitidos por causa da blitz realizada nas empresas do Grupo Clarín ontem. Segundo fontes da Administração Federal de Ingressos Públicos (AFIP) ao jornal, os diretores regionais, Andrés Vázquez e Sergio Mancini, foram afastados de seus cargos por terem autorizado a operação classificada como “intimidadora” contra a maior holding multimídia do país, com quem o governo de Cristina Kirchner trava uma dura briga.

O diretor geral da AFIP, Ricardo Echegaray, disse que a operação, que contou com cerca de 200 fiscais, não foi autorizada por ele. O governo também tentou se desvencilhar de qualquer responsabilidade no caso. Hoje de manhã, o ministro chefe de Gabinete da Presidência, Aníbal Fernández, disse que a blitz foi “uma manobra de alguém para culpar o governo”, já que a mesma ocorreu em um momento de confronto entre a Casa Rosada e o Clarín. Vázquez e Mancini foram apontados por Echegaray como os responsáveis por levar os inspetores às redações de “Clarín”, “Olé” e “La Razón”.

Echegaray explicou, no entanto, que “a fiscalização estava prevista, mas não nesta data”. O episódio ocorreu no mesmo dia em que o “Clarín” publicou em sua capa que a ONCCA (Escritório Nacional de Controle Comercial Agropecuário) pagou um subsídio de 10 milhões de pesos (R$ 4,7 milhões) à uma empresa que não estava habilitada.

Echegaray é o homem que controla não só a AFIP, mas também a ONCCA. É apontado como o braço direito do ex-presidente Néstor Kirchner na briga que o casal presidencial mantém contra o setor agropecuário e, agora, com o Clarín. A operação também ocorre em plena discussão do polêmico projeto de lei que quebra o monopólio do setor de telecomunicações no país e afeta diretamente o Clarín.