O dissidente cubano Guillermo Fariñas está debilitado mas afirmou que vai levar até as últimas consequências sua greve de fome iniciada para exigir a libertação de presos com a saúde debilitada. “Não é suicídio, estou pedindo uma coisa lógica. Não estou pedindo que me deem o poder, não estou pedindo que Raúl (Castro) vá embora num avião, estou pedindo que soltem 26 presos que os médicos disseram que são incompatíveis (com a prisão)”, disse Fariñas.

Dando por certa a sua morte, ele disse que ela “vai servir para demonstrar ao mundo que o assassinato político é uma questão institucionalizada”.

O dissidente concedeu a entrevista em sua casa na cidade de Santa Clara, localizada a cerca de 300 quilômetros a leste da capital cubana. Vestindo pijamas e usando uma bengala para locomover-se, Fariñas está no décimo dia da greve, embora na quarta-feira tenha sofrido uma crise de hipoglicemia e tenha recebido soro no hospital. Ele recebeu 8 litros de lactose, glucose e água no pronto-socorro. Sua porta-voz, Licet Zamora, disse que os médicos se negaram a levá-lo para a unidade de terapia intensiva e disseram que ele deveria comer.

Fariñas, um psicólogo de 48 anos que também se define como jornalista independente, começou seu protesto horas depois da morte do dissidente Orlando Zapata Tamayo no dia 23 de fevereiro, após uma greve de fome que durou meses.