O presidente Hugo Chávez expressou que seu governo vai esperar somente até setembro para que os Congressos do Brasil e do Paraguai aprovem a incorporação da Venezuela ao Mercosul. Depois deste prazo, anunciou, irá retirar a solicitação de ingresso no bloco. "Se não aprovarem neste período, vamos nos retirar do processo e esperar novas condições", disse Chávez durante um ato no palácio presidencial.

"Não há nenhuma razão para os Congressos de Brasil e Paraguai não aprovarem nosso ingresso ao Mercosul. Nenhuma razão, nem política, nem jurídica, nem econômica nem moral", afirmou o chefe de Estado, assinalando que o atraso dos congressistas em decidir sobre a integração da Venezuela ao bloco representa uma "falta de respeito para com o país". Durante pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, Chávez afirmou que lhe chamava atenção as recentes declarações do chanceler brasileiro, Celso Amorim, que afirmou que ainda faltam alguns requisitos para a Venezuela.

Dirigindo-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Chávez insistiu: "Lula, nós não desistimos do Mercosul." Acrescentou que se a resposta não for dada no prazo, a Venezuela vai se retirar por uma questão de "dignidade, porque consideramos isso uma falta de respeito". Sem oferecer mais detalhes, Chávez acusou os Estados Unidos de tentar bloquear a integração da Venezuela ao Mercosul. O chefe de Estado se classificou como um "integrador por excelência", citando como exemplo o seu esforço para alavancar o comércio entre Brasil e Venezuela.

No Congresso Brasileiro, parlamentares de diferentes tendências afirmam precisar de "gestos" de aproximação por parte do presidente venezuelano, para superar o clima de mal-estar gerado pelas recentes críticas de Chávez à Casa.

Depois de não renovar a concessão da emissora RCTV, Chávez chamou de "papagaios de Washington" os parlamentares brasileiros que pediram para o governo venezuelano reconsiderar sua decisão. Em Montevidéu, o senador uruguaio Sergio Abreu, um dos arquitetos do Mercosul, advertiu que a Venezuela está "com um pé dentro e outro fora" do bloco.

A Venezuela firmou em 2006 seu acordo de adesão ao Mercosul, em um processo pelo qual deve ajustar-se a normas comerciais e aduaneiras do bloco, entre outras regras, ao longo de um período que vai até 2014. A incorporação venezuelana também deve ser ratificada pelos congressos dos países membros, como já fizeram os de Argentina e Uruguai, faltando ainda o aval dos legislativos de Brasil e Paraguai.