As empresas de segurança americanas estão estabelecendo verdadeiros exércitos privados no Iraque, e começaram a criar mecanismos de coordenação entre eles para enfrentar todo tipo de riscos. Segundo fontes do setor, há atualmente mais de 20 mil pessoas, qualificadas oficialmente de “peritos em segurança”, ou mais simplesmente de mercenários, sob as ordens das companhias.

As companhias contratam principalmente ex-soldados das forças especiais e outras unidades de elite, para dar proteção a seus funcionários civis enviados ao Iraque e até mesmo às autoridades de ocupação, como o administrador do Iraque, Paul Bremer, cujos guarda-costas são fornecidos por uma agência.

Apesar dos agentes de segurança não usarem uniforme, têm sido alvo de ataques cada vez mais mortíferos nas últimas semanas. O caso mais trágico ocorreu em Faluja, onde quatro seguranças da agência americana Blackwater foram mortos e esquartejados numa emboscada.

Mas se registraram muitos outros ataques. O “Washington Post” noticiou três casos onde agentes privados de companhias britânicas e americanas foram cercados e atacados durante horas por grupos da resistência iraquiana, em Kut e outras cidades. Os mercenários chegaram a pedir a intervenção das forças de ocupação, mas o socorro não foi enviado.

A dificuldade das forças militares americanas em lançar operações de resgate dos seguranças privados, evidenciada nos episódios dos últimos dias, levou as agências a coordenar de forma mais estreita suas operações.

As companhias também solicitaram às autoridades de ocupação acesso às informações dos serviços de inteligência fornecidas aos militares, justificando o pedido com o fato de que muitos agentes privados foram contratados para liberar os soldados de algumas tarefas, como a proteção dos funcionários das empresas estrangeiras que operam no Iraque.