Depressão, ansiedade, asma, dores de cabeça, úlceras, dificuldades de relacionamento e até mesmo infartos são algumas das seqüelas psicológicas sofridas por crianças traumatizadas por guerras, terrorismo ou catástrofes naturais, advertiram especialistas reunidos em Roma.

Para analisar as conseqüências desses acontecimentos sobre a infância, a associação italiana “Child” reuniu os maiores especialistas na matéria, num congresso internacional sobre “A proteção da infância nos contextos de guerra, terrorismo e catástrofes naturais”.

Os organizadores declararam que será elaborada uma “Carta de Roma”, propondo entre outros pontos a formação de uma rede internacional de estudos, “para promover a troca de reflexões e experiências que contribuam à elaboração de modelos de intervenção compatíveis em nível mundial”.

Ernesto Caffo, professor de Psiquiatria da Universidade de Modena, destacou a importância da participação de instituições civis, sanitárias, escolares e serviços psicossociais para aliviar os traumas infantis.

As iniciativas se tornaram necessárias devido à propagação cada vez maior dos traumas causados pelos conflitos bélicos, que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) causaram a morte de dois milhões de crianças nos últimos dez anos e deixaram graves traumas em mais dez milhões.

Além disso, segundo estimativas da Cruz Vermelha Internacional, baseadas em pesquisas de 1997, 5,9 milhões de crianças da África e 1,7 milhão do continente americano sofrem de problemas psíquicos.

A OMS calcula também que, até 2020, os distúrbios neuropsiquiátricos devem aumentar 50% em nível mundial, tornando-se uma das cinco principais causas de doença, morte e invalidez entre crianças.